Centenas de novos coronavírus são achados em morcegos na China

Em meio à pandemia do SARS-CoV-2, um hipotético irmão SARS-CoV-3 já pode estar latente na natureza, preparando próximo ataque à humanidade. Análise de milhares de morcegos revelou centenas de novos coronavírus

Morcegos
Morcegos (Foto: Reuters)


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Sputnik - Uma análise genética de centenas de novos coronavírus encontrados em morcegos na China mostrou que alguns deles têm "um alto potencial de transmissão entre espécies" e aponta que a provável origem do SARS-CoV-2 esteja em uma espécie regional de morcego, o morcego-de-ferradura.

Em declarações ao jornal espanhol El País, o ecólogo boliviano Carlos Zambrana citou a existência de uma grande diversidade natural de coronavírus.

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Zambrana, membro da EcoHealth Alliance, uma organização internacional com sede em Nova York dedicada à pesquisa de doenças emergentes da vida selvagem que possam ameaçar a humanidade, relatou que sua equipe, em colaboração com o Instituto de Virologia de Wuhan, analisou mais de 1.200 sequências genéticas de coronavírus encontrados em morcegos.

A pesquisa detectou a presença de 630 coronavírus desconhecidos, confirmando – nas palavras de Zambrana - que "o sudoeste da China é um centro de diversificação" desses vírus.

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Tal se explica, na opinião do cientista, pelo grande número de espécies de morcegos – cada uma com seus próprios vírus característicos – uma alta densidade populacional humana e contato constante entre animais e pessoas, que caçam e comem morcegos.

Algumas espécies de morcegos são consideradas uma iguaria na China e em outros países, como o Laos, o Vietnã e a Indonésia. Zambrana não exclui, por isso, novas pandemias no futuro.

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A EcoHealth Alliance está participando do Projeto Viroma Global, uma iniciativa lançada em 2016 para que a humanidade possa se antecipar aos 500.000 vírus desconhecidos que possam ser capazes de se transmitirem de animais para humanos, refere o El País.

A nova análise genética aponta os morcegos-de-ferradura como o principal hospedeiro de vírus semelhantes ao SARS, o outro coronavírus similar ao SARS-CoV-2 que surgiu em 2002 na China e matou cerca de 800 pessoas.

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Os coronavírus de morcegos também são suspeitos de serem os responsáveis pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), um patógeno letal identificado pela primeira vez na Arábia Saudita em 2012, e que infectou os humanos através de camelos.

A equipe mista de cientistas da EcoHealth Alliance e do Instituto de Virologia de Wuhan coletou amostras de milhares de morcegos em cerca de 15 províncias chinesas entre 2010 e 2015.

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"Quando pegamos um morcego, ele quase sempre dá negativo para coronavírus. Para encontrar um positivo, temos de coletar centenas de amostras", explica Zambrana, que acrescenta que não tendo sido analisado o genoma de cada um dos vírus, as 630 novas sequências não correspondem necessariamente a novas espécies de coronavírus, embora o ecólogo boliviano creia que possivelmente se trate de centenas de agentes patogênicos desconhecidos até agora.

Os vírus causadores de SARS, MERS e COVID-19 pertencem a um grupo específico de coronavírus, chamado de betacoronavírus.

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Contudo, a pesquisa indica que é outro grupo de coronavírus, o alfacoronavírus, aquele que teria maior facilidade em ser transmitido entre espécies.

Assim, os cientistas chamam a atenção para a urgência de implantação de programas de detecção de novos coronavírus em populações de morcegos não só no sul da China, mas também em países vizinhos como Mianmar, Laos e Vietnã.

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Preocupado com a estigmatização destes mamíferos voadores, Zambrana frisou que "os morcegos não são culpados e são ótimos para os ecossistemas".

Na mesma linha, o zoólogo espanhol Javier Juste opinou ao El País que "os benefícios que os morcegos trazem aos ecossistemas são muito maiores que os possíveis riscos: polinizam as plantas, controlam pragas agrícolas e comem toneladas de mosquitos que transmitem doenças, como malária, dengue ou zika".

O trabalho da EcoHealth Alliance tem sido alvo da fúria do presidente dos EUA, Donald Trump, porque desmonta a teoria segundo a qual o coronavírus saiu do laboratório de Wuhan, tendo a China escondido isso do mundo.

Donald Trump anunciou o corte de apoio à organização, o que motivou a oposição de 77 cientistas norte-americanos vencedores do Prêmio Nobel, por privar de fundos uma entidade de grande prestígio que poderia ajudar a controlar a presente pandemia e a precaver outras no futuro.

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