Vilma Reis: 'não dá para o PT voltar sem repartir o poder com mulheres negras'
A socióloga e integrante do Conselho Editorial do Brasil 247, Vilma Reis, defendeu a feminilização e uma maior participação dos negros na política visando as eleições de 2022. "Não vai dar pro PT voltar a Brasília sem repartir o poder com as mulheres negras”, disse
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247 - A ativista, socióloga e integrante do Conselho Editorial do Brasil 247, Vilma Reis, defendeu a feminilização e uma maior participação dos negros na política para combater a crise de representatividade da população. "Ninguém vai ter coragem de bancar uma chapa toda de homens ou toda de brancos", disse Vilma sobre as eleições de 2022 em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Ainda segundo ela, "não vai dar pro PT voltar a Brasília sem repartir o poder com as mulheres negras”.
Na entrevista ela destacou a necessidade de um “levante feminista” visando combater a opressão e a misoginia. Temos um governo hipermisógino, e o recurso para enfrentar o feminicídio e da violência contra a mulher teve execução quase zero por parte do Ministério das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos —e é até uma idiossincrasia usar esse nome. A gente resolveu dar esse grito depois da matança do Natal de 2020 [quando ao menos seis mulheres foram vítimas de feminicídios no Brasil]. A violência contra a mulher é o lugar em que todas nos encontramos: brancas, negras, indígenas, héteros, LGBTQIA+, imigrantes. Há uma guerra às mulheres, e a luta é para desmobilizar essa cultura de morte”, afirmou.
“Desde a Constituinte de 1988, à qual as mulheres chegaram graças à movimentação conhecida como Lobby do Batom, as feministas fizeram políticas contundentes. Mas as mulheres adentraram a segunda década do século 21 de uma maneira muito empobrecida do ponto de vista das políticas de gênero”, disse Vilma. “São planos, programas e secretarias pensados para o enfrentamento à misoginia e ao patriarcado foram esvaziados, perderam recursos ou foram simplesmente desmontados a partir de 2015. Em 2016 veio a pá de cal na figura da PEC 95 [do teto dos gastos], que é uma guerra contra as mulheres trabalhadoras porque diminui recursos das políticas de educação, saúde e assistência social, decisivas para quem está na ponta e é responsável pelo cuidado na sociedade, que somos nós, mulheres. Ou seja, é o próprio Estado que sabota essa mulher”, completou.
Nesta linha, Vilma observa que “o fenômeno Marielle Franco mexeu com algo que estava silenciado. E isso foi impulsionado pela ocupação mais diversa das universidades brasileiras a partir das políticas de cotas. O Brasil continuaria nas catacumbas do século 19, do Estado colonial, sem esse risco mínimo das cotas. A gente virou uma chave que é: não vamos entregar o papel de representação. Falharam no papel de nos dirigir e representar nossos interesses. Quem dorme com os olhos dos outros, não acorda na hora que quer. Vamos batalhar por uma reviravolta na representação das mulheres negras. Precisamos feminilizar e enegrecer o poder porque a nova estética política é a das mulheres negras”.
A ativista também ressaltou a necessidade da criação de mecanismos para ampliar a representatividade das mulheres negras na política. Você precisa ter mecanismos institucionais formais. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) precisa se dar conta de que não é da Suécia ou da Alemanha. Ele é do Brasil, e tem tido uma postura blasé em relação à carnificina da não representação”, afirmou.
“A ação que o movimento de mulheres negras fez em 2020 bateu, pela primeira vez, às portas do TSE. Foi a consulta proposta por Benedita da Silva (PT) e, em seguida, pelas mulheres do PSOL, e conquistou-se a obrigatoriedade de dividir recursos políticos com campanhas de negros. Pensamos que o Brasil deveria ter um sistema de listas fechadas e alternadas para ampliar a representação de mulheres e negros. O TSE deveria estar pensando nisso”, emendou.
Ainda segundo Vilma Reis, o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos que mais ofereceu espaço político às mulheres. “Lula é um líder político internacional que veio da classe trabalhadora. Ele teve ministras negras, que foram alçadas ao topo da República, algo inédito. Dividiu o poder como nunca. E colocou mulheres em pastas demarcadas pela cultura do patriarcado, como Dilma Rousseff no ministério das Minas e Energia e na Casa Civil. Com Lula surgiram a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a partir da qual foram construídas conquistas feministas como a Lei Maria da Penha de 2006, a PEC das Domésticas de 2013 e a criminalização do feminicídio em 2015". observou.
Sobre o fato do ex-presidente ter recuperado os diretos políticos após a anulação das sentenças impostas pelo o ex-juiz Sergio Moro, Vilma disse acreditar "que Lula está atento". "Ninguém vai ter coragem de bancar uma chapa toda de homens ou toda de brancos. Não vai dar para o PT voltar pra Brasília sem repartir o poder com as mulheres negras”, afirmou.
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