Triturado, Moro desaparece das redes sociais

Ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro foi julgado parcial na ação contra o ex-presidente Lula pelos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandoswski. No dia 20 de fevereiro, Moro publicou foto de outdoor em apoio à Lava Jato

Sérgio Moro
Sérgio Moro (Foto: Divulgação)


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247 - No dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) expôs as ilegalidades cometidas na Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro não apareceu nas redes sociais. Sua última publicação no Twitter no último dia 1º. 

No dia 20 de fevereiro, Moro publicou foto de outdoor em apoio à Lava Jato. 

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Confira:


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Leia também matéria da Rede Brasil Atual sobre o assunto:

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O julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro, pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (9), foi novamente suspenso, desta vez por pedido de vista do ministro novato Nunes Marques, que se declarou incapaz de votar sem estudar o caso mais profundamente. O placar até o momento está em 2 votos a 2. Já haviam votado, em 2018, Cármen Lúcia e Edson Fachin, contra a suspeição. O presidente do colegiado, Gilmar Mendes, hoje, se manifestou pela parcialidade do ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. O voto de Ricardo Lewandowski empatou o placar.

Cármen preferiu esperar a decisão de Nunes Marques para manifestar seu voto. Embora a ministra já tenha votado em 2018, há a possibilidade de ela mudar de posição, ante os novos fatos e diálogos revelados no âmbito da Operação Spoofing, que compromete o julgamento do caso do tríplex do Guarujá. Enquanto Gilmar, em seu voto, lia esses diálogos, ouviu-se uma frase de Cármen no áudio da sessão virtual. “Gravíssimo”, ela disse. A manifestação da ministra criou a expectativa de que ela mude seu voto, e passe a ser a favor da decretação da suspeição de Moro. Se isso acontecer, estaria formada maioria de três votos contra Moro e a posição de Nunes Marques deixaria de ser decisiva.

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“Lula foi vítima”

Já  Lewandowski preferiu antecipar seu posicionamento, pela suspeição de Moro. Ele destacou a “perplexidade” que a atuação do condutor da Lava Jato em Curitiba causa em meios jurídicos de outros países. Segundo Gilmar Mendes, o ex-juiz e os procuradores usaram “estratégia de marketing”, ao definir quando seria o melhor momento de divulgar a denúncia, como se vê nos diálogos revelados. Também foi midiática a “espetaculosa condução coercitiva” de Lula em 2016, na opinião do ministro. “Modelo de um hediondo Estado-espetáculo de caráter policial. Lula não foi julgado, foi vítima de perseguição política. A Justiça foi instrumentalizada para fins políticos”, disse Gilmar, que pautou o julgamento na manhã de hoje. “Independentemente da nossa decisão, vamos ter que fazer profunda reforma da justiça criminal. Ou fazemos isso ou criamos um regime totalitário”, acrescentou.

O ministro classificou a Lava Jato como “estrutura de organização criminosa, de quadrilha”. “Não se combate crime cometendo crime”, afirmou. Gilmar destacou que Moro e a força-tarefa grampearam os telefones dos advogados de Lula. “Os 25 advogados do escritório Teixeira Martins foram grampeados. Interceptação de escritório de advogado é coisa de regime totalitário. Qualquer semelhança com regimes totalitários não é mera coincidência. O direito de defesa desaparece, sucumbe”, acrescentou.

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Lewandowski disse ser importante destacar em seu voto que decreta “a nulidade integral de todos os atos (de Moro), irremediavelmente tisnados pelo vício insanável da parcialidade”. De acordo com o ministro, os “frutos da árvore envenenada estão envenenados também”. Ele ainda ressaltou que adere à proposta de Gilmar Mendes para que as custas do processo sejam “suportadas pelo juiz considerado suspeito e parcial”.

Manobra de Fachin fracassa

Edson Fachin, que na segunda-feira (8) decidiu pela anulação dos processos contra Lula, manobrou para adiar o julgamento e chegou fazer o pedido ao presidente do tribunal, Luiz Fux. Fachin argumentou que o plenário do STF deve decidir se o caso “perdeu objeto” (deixou de fazer sentido) após sua decisão. Mas a manobra foi derrotada e o julgamento foi mantido por decisão da própria Segunda Turma em votação. O julgamento iniciado em 2018 foi então retomado.

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Com a anulação dos julgamentos de Lula por Fachin, os quatro casos foram retirados da alçada de Curitiba, sede da Lava Jato, e remetidos à Justiça Federal de Brasília. A consequência da decisão de Fachin é que, embora anulados, as provas obtidas nos processos conduzidos por Sergio Moro podem ser utilizadas pelo novo juiz, que será sorteado. Caso a suspeição seja declarada pela Segunda Turma, no julgamento por enquanto suspenso, as provas deixam de ser válidas, por se tornarem “imprestáveis”. É o cenário sonhado pela defesa de Lula.

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