“Travestis e transexuais ainda são desumanizadas perante a sociedade”

As ativistas do movimento LGBTQI+ Bárbara Aires e Danielle Nunes falaram na TV 247 sobre a rotina de exclusão e violência enfrentada por travestis e transexuais no Brasil. O país é o que mais mata LGBT’S no mundo. Assista.

(Foto: Reuters | Reprodução)


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247 - Transfobia foi o tema do programa “Um Tom de resistência” desta semana na TV 247. O apresentador Ricardo Nêggo Tom recebeu a produtora e ativista Bárbara Aires e a turismóloga e também ativista Danielle Nunes. Sobre o preconceito e a violência impostos à população LGBTQI+, Bárbara entende que “travestis e transexuais são desumanizadas pela sociedade, que não nos enxerga como pessoas, como seres humanos. Isso fica muito explícito no dia a dia, quando você está caminhando na rua e não vê uma travesti andando ao seu lado, quando você vai ao mercado e não vê uma travesti atendendo no caixa, repondo o estoque das prateleiras. A sociedade não está acostumada a ver travestis ocupando espaços”.

Danielle Nunes chamou a atenção para o fato de que a transfobia, assim como o racismo, é um problema estrutural. “Nós não morremos apenas fisicamente. Morremos aos poucos psicologicamente. E esse não reconhecimento da nossa humanidade não vem apenas de quem aperta 17 nas urnas. Vem também de pessoas que se declaram aliadas. Morremos também pela omissão das pessoas que dizem estar conosco no front. Muita gente do nosso segmento ideológico não nos reconhece como pessoas dignas para estarem ao lado deles. Vemos muitos casos de racismo e LGBTIfobia no campo progressista. E isso é mais natural do que se pensa. Por isso, eu me coloco à disposição para fazer um levante da consciência dessas pessoas”, disse ela.

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O conservadorismo de religiões cristãs, que têm suas doutrinas baseadas na Bíblia, também foi apontado como um dos fatores responsáveis por estimular a transfobia, o preconceito e a violência contra a população LGBTQI+. “Na minha opinião há uma total responsabilidade. E digo isso sem nenhum peso na consciência. É preciso entender que a Bíblia foi escrita por homens, e por homens brancos que era quem detinham o poder da escrita na época. Não estou dizendo que não tem manifestação divina ali. Mas é óbvio que eles colocaram na Bíblia da forma que eles entenderam. E hoje há coisas que não cabem mais. A submissão da mulher ao homem é uma delas”, comentou Bárbara Aires.

Lembrando que é preciso separar ciência e teologia, Danielle considera que “a Bíblia não deveria ser interpretada ao pé da letra, e sim, metaforicamente. Porque muito do que foi escrito ali foi distorcido. Se existem igrejas que perpetuam o machismo e a LGBTIfobia, é porque essas pessoas têm consciência do que estão propagando. Eu conheço muitos evangélicos que são progressistas, que não ficam o dia inteiro apontando o dedo para as pessoas que passam na rua. Então, a Bíblia que está lá para destruir o próximo, deveria ser ressignificada pelas palavras do amor, que foi o que Jesus Cristo pregou. Mas hoje em dia o que vemos é o ódio fluindo. Se tivesse uma lei que permitisse matar travestis, teríamos uma caça às bruxas. E quem nos mataria? Quem está dentro da igreja”, opinou a ativista.

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