Temporão: "o Ministério da Saúde está militarizado" e "falta liderança" para enfrentar a pandemia

Para José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde, o negacionismo e a militarização do Ministério da Saúde são as principais dificuldades para a realização de uma campanha nacional de vacinação contra a Covid-19

Ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão
Ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão (Foto: Divulgação / STF)


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247 - O médico sanitarista e ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão afirmou que o negacionismo e a militarização do Ministério da Saúde são as principais dificuldades para a realização de uma campanha nacional de vacinação contra a Covid-19. “Falta coordenação, controle. Vemos uma incompetência justamente numa hora em que o Brasil precisa do contrário”, disse Temporão em entrevista à revista Época

Segundo o ex-ministro, o plano apresentado pelo governo federal “é frágil, não diz sequer quantas doses serão usadas da CoronaVac, a vacina do Instituto Butantan. As informações acabam tendo de ser buscadas pela imprensa”. 

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“Falta coordenação, controle. Vemos uma incompetência justamente numa hora em que o Brasil precisa do contrário. Em 2010, em apenas três meses, vacinamos 80 milhões de brasileiros contra a gripe H1N1. Em 2009, o Brasil fez uma campanha de erradicação da rubéola e da síndrome da rubéola congênita entre adultos jovens, de 19 a 40 anos. É difícil vacinar jovens, mas conseguimos imunizar 40 milhões de pessoas”, afirmou. 

Segundo ele, “falta liderança” para tratar do combate à Covid-19. “O ministro militar não tem como falar de saúde com a população. Ele não entende do assunto. O Programa Nacional de Imunização (PNI) tem um quadro excepcional de técnicos e especialistas. O Brasil é o único país do mundo que vacina 10 milhões de crianças contra poliomielite num único dia”, ressaltou. 

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“Temos um programa de altíssima capacidade logística e dois dos maiores produtores mundiais de vacinas, que são o laboratório Bio-Manguinhos e o Instituto Butantan. Isso tudo nos acenava com um futuro muito promissor. Estes cientistas e técnicos deveriam estar à frente do processo, mas estão sendo ouvidos como se estivessem num colégio militar. O Ministério da Saúde está sob intervenção militar”, emendou em seguida.

“O resultado é que chegamos ao fim de 2020 sem responder a pergunta fundamental: que dia começa a vacinação e como. O que estamos ouvido do Ministério da Saúde é constrangedor, seja do próprio ministro ou do secretário executivo do Ministério. Para quem tem 40 anos na área de saúde, como eu, fica claro que eles não sabem do que estão falando. Falta credibilidade, o que é fundamental. Como confiar num governo cuja liderança máxima sabota inclusive a vacinação?”, questionou. 

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