“Suposta parceria de Elon Musk com Bolsonaro foi um opereta bufa”, diz Ricardo Galvão
“Um mentira deslavada”, disse o físico sobre anúncio da parceria para lançar um programa de “monitoramento ambiental”
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247 - “Foi uma opereta bufa para tentar dar suporte para a campanha de Bolsonaro”, afirmou Ricardo Galvão, físico e engenheiro, professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante participação no programa Giro das Onze, da TV 247.
Para Galvão, o anúncio da parceria de Jair Bolsonaro (PL) com o bilionário Elon Musk, presidente-executivo da SpaceX e da fabricante de carros elétricos Tesla, para lançar um programa de “monitoramento ambiental” de queimadas e desmatamento da Amazônia foi um jogo de cena.
“A empresa Starlink, do Elon Musk, faz satélites de alto nível, mas toda uma constelação desenvolvida de satélites para fazer links de internet, embora com velocidade muito menor do que fibra óptica, mas atinge vários lugares do mundo. Aliás, um projeto que acho completamente maluco, porque a intenção final dele é colocar 42 mil satélites em órbita quando historicamente nós temos colocado no máximo na ordem de 14 mil e vai aumentar muito o problema de lixo espacial. Tirando esse aspecto, é um sistema desenvolvido para a comunicação óptica”, frisou o físico.
Ele explicou que os satélites para fazer monitoramento da terra são os de órbita heliossíncrona, que rodam em torno da terra sobre um ponto sempre no mesmo horário, pois para monitorar desmatamento é preciso que as imagens sejam feitas dias depois do mesmo ponto e com a mesma iluminação do sol para poder comparar as imagens.
“Os satélites do Elon Musk são completamente distintos. Além disso, para tirar imagens tem que ter câmeras óticas chamadas de multiespectrais. Os satélites da Starlink não tem essas câmeras, então isso foi uma mentira deslavada”, declarou.
Galvão destacou ainda que enquanto anunciava essa “mentira“, o governo “cortou o programa de desenvolvimento de satélites do INPE, o programa de colaboração com a China que desenvolveu o satélite ciber, só por questão ideológica”.
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