Stedile: governo Bolsonaro só existe porque tem a tutela dos militares

Líder do MST disse à TV 247 que, apesar de a tutela das Forças Armadas parecer um porto seguro para Bolsonaro, é também uma fragilidade, na medida em que os militares podem trocá-lo por outro. “Se amanhã ou depois os milicos perceberem que os erros do governo contra o povo vão respingar na farda, eu acredito que podem trocá-lo”, disse

Bolsonaro, militares e João Pedro Stedile, do MST
Bolsonaro, militares e João Pedro Stedile, do MST (Foto: Agência Brasil)


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247 - O líder do MST João Pedro Stedile afirmou em entrevista à TV 247 que o governo de Jair Bolsonaro está sob a tutela das Forças Armadas, ou seja, sob os mandos e desmandos dos militares. Stedile disse que esta tutela pode parecer, a princípio, um porto seguro para Bolsonaro, mas que na verdade pode representar uma fragilidade. As declarações foram feitas antes da demissão de Sergio Moro e suas acusações contra Bolsonaro, nesta sexta-feira 24.

Para Stedile, os militares podem se voltar contra Bolsonaro e tirá-lo da presidência caso achem que os erros do governo irão prejudicar também a imagem das Forças Armadas. “É evidente que estamos vivendo uma situação difícil da luta de classes e da luta política, porque o centro da disputa está no campo institucional, e no campo institucional nós somos um governo que é antipovo. O governo, por sorte, comete tantos erros contra o povo e a sociedade brasileira que independente da nossa força ele está se isolando cada vez mais. Hoje o governo Bolsonaro só se sustenta porque ele é tutelado pela Forças Armadas. Por um lado isso pode parecer uma fortaleza para ele, porque ele tem a retaguarda dos milicos, mas por outro lado é também uma fragilidade porque se amanhã ou depois os milicos perceberem que os erros do governo contra o povo vão respingar na farda, eu acredito que os milicos podem trocá-lo, colocam lá o Mourão, o Braga Netto ou quem eles quiserem”.

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O economista ressaltou que a militância de oposição a Bolsonaro deve agora se empenhar na luta ideológica, e mostrou os caminhos. “Nesse epicentro da crise o que a classe trabalhadora tem que fazer? Só assistir na televisão? Não. Nós achamos que o centro da luta de classes hoje é no campo da luta ideológica, ou seja, temos que disputar as ideias na sociedade. Há alguns caminhos para disputar as ideias, o primeiro são as redes sociais. Também temos tido as janelas, as janelas são espaço de agitação e propaganda e é muito importante estimularmos. Tenho visto também que muitos músicos estão fazendo espetáculos virtuais, estão fazendo músicas, isso é muito importante também. Temos que estimular a arte como instrumento de luta ideológico”.

Diante do desgoverno que administra a crise do coronavírus, Stedile disse que a solidariedade também é um ato de “agitação e propaganda”, na medida em que ignora a inércia do governo e promove a proteção da sociedade pela própria sociedade.

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