Setores das Forças Armadas estão contrariados com ameaças de Bolsonaro
Ameaças de uso da força militar contra adversários políticos não foram bem recebidas na cúpula da Forças Armadas
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247 - As tentativas de Jair Bolsonaro envolver as Forças Armadas nas suas ameaças de uso da força contra a oposição está incomodando os altos escalões militares.
Segundo o jornalista Igor Gielow, da Folha de S.Paulo, oficiais-generais da ativa e da reserva têm mantido conversas nos últimos dias após Bolsonaro ter sugerido o uso do Exército contra governadores de estado que aplicam medidas para reduzir a circulação de pessoas na tentativa de conter a pandemia.
Bolsonaro disse no último domingo (21) que esses governadores são "tiranetes ou tiranos" e que o povo pode contar com "as Forças Armadas pela democracia e pela liberdade”.
É um filme conhecido. Sempre que Bolsonaro se vê pressionado politicamente, ele "grita lobo", nas palavras de um oficial da Marinha. No caso, o "lobo" da fábula é algum tipo de intervenção militar.
No ensaio de crise constitucional do primeiro semestre do ano passado, quando o presidente estimulou atos golpistas que pediam o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro arrastou consigo a cúpula militar.
O presidente levou o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, para sobrevoar de helicóptero um desses atos. Ao mesmo tempo, as cúpulas das Forças tiveram de emitir duas notas para negar que houvesse tentações golpistas e reafirmando o compromisso com a Constituição.
Por outro lado, o mesmo Azevedo apoiou seu colega Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), que "gritou lobo" ao divulgar nota na qual alertava para "consequências imprevisíveis" devido à tramitação de um pedido para apreensão do celular de Bolsonaro, na apuração sobre interferência do presidente na Polícia Federal.
Essa posição ambígua acabou contribuindo para a desconfiança em diversos meios políticos. Com o desanuviamento da crise, a partir da melhora da popularidade de Bolsonaro durante os meses em que concedeu auxílio emergencial na pandemia e a associação com o centrão, os militares saíram do holofote.
]Os militares só não vieram a público para refutar as declarações de Bolsonaro por razões hierárquicas.
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