Ribeiro disse que estava sendo 'muito bem tratado' pela PF

Preso na operação contra escândalo no MEC, o ex-ministro foi solto antes de ser ouvido pelo delegado da Plícia Federal

(Foto: ABr)


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247 - O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, preso pela Polícia Federal na operação que investiga corrupção no MEC, telefonou para a esposa, Myrian Ribeiro, da Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo. 

Ribeiro relatou no telefonema, de cerca de um minutos de duração, que foi "muito bem tratado" pelos policiais, segundo o UOL. "Muito bem tratado, com muita cortesia até. Muito bem tratado", disse Ribeiro. O ex-ministro de Jair Bolsonaro garante ainda que "está tranquilo" e pede orações. "O que é a meu favor, Myrian, é a questão da minha consciência e eu estou bem. Estou tranquilo", afirma.

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Preso preventivamente na última quarta-feira (22) e deveria ter sido levado para ser interrogado em Brasília, mas a superintendência da Polícia Federal em São Paulo alegou questões logísticas e não fez a transferência. Ele acabou recebendo habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) e foi solto antes de ser ouvido pelo delegado

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Leia também matéria da Rede Brasil Atual sobre o assunto:

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 Os desdobramentos do caso Milton Ribeiro parecem ter fugido ao controle do governo Jair Bolsonaro. Mesmo com a interferência na Polícia Federal a favor do ex-ministro da Educação, apontada pelo próprio delegado Bruno Callandrini, que conduziu a Operação Acesso Pago, o Planalto não tem como cobrir todas as frentes para abafar o caso. A Justiça Federal em Brasília enviou nesta sexta-feira (24) a investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A justificativa para apelar à mais alta Corte do país é justamente a interferência na apuração que, segundo suspeitas, vem do “alto”.

O juiz federal Renato Borelli cita conversas telefônicas de Ribeiro interceptadas no âmbito das investigações. Nos diálogos, o ex-ministro dá a entender que sabia do trabalho dos investigadores. Mas informado por quem? Segundo o juiz, existe a “constatação do envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro, inclusive a Presidência da República”.

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“Tudo caminhando, tudo caminhando. Agora tem que aguardar”, diz Milton Ribeiro em uma conversa gravada revelada pelo portal g1. “Alguns assuntos estão sendo resolvidos pela misericórdia divina: o negócio da arma, resolveu. Aquela mentira que eles falavam que os ônibus estavam superfaturados no FNDE, também. Agora vai faltar o assunto dos pastores, né? Uma coisa que eu tenho receio um pouco é de o processo fazer aquele negócio de busca e apreensão, entendeu?”, continua o ex-ministro na conversa.

Ribeiro cita Bolsonaro ao telefone

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Segundo ainda o g1, Milton Ribeiro disse em conversa com uma filha ter recebido ligação de Bolsonaro, na qual o presidente teria manifestado temor de ser atingido pela investigação da PF. Eis o diálogo:

– A única coisa meio… hoje o presidente me ligou… Ele tá com um pressentimento, novamente, que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe? É que eu tenho mandado versículos pra ele, né?, disse Ribeiro à filha.

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– Ele quer que você pare de mandar mensagens?, quer saber a filha.

– Não! Não é isso… ele acha que vão fazer uma busca e apreensão… em casa… sabe… é… é muito triste. Bom! Isso pode acontecer, né? Se houver indícios, né?, respondeu o ministro.

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“Investigação prejudicada”

Na mensagem enviada aos colegas denunciando interferência, o delegado da PF Bruno Callandrini agradece o “empenho na execução da Operação Acesso Pago”, mas lamenta que a “investigação envolvendo corrupção no MEC foi prejudicada no dia de ontem em razão do tratamento diferenciado concedido pela PF ao investigado Milton Ribeiro”.

Ribeiro era para ter sido conduzido “até o aeroporto em São Paulo para viagem à Brasília” (sic), segundo Callandrini, mas foi conduzido para a unidade da PF em São Paulo. “O deslocamento de Milton para a carceragem da PF em SP * é demonstração de interferência na condução da investigação, por isso, afirmo *não ter autonomia investigativa e administrativa para conduzir o Inquérito Policial deste caso com independência e segurança institucional”, escreveu o delegado. Segundo ele, “o principal alvo, em São Paulo (Milton Ribeiro), foi tratado com honrarias não existentes na lei”.

Outro problema que ameaça Bolsonaro é a CPI do MEC, que já conta com 28 assinaturas, uma a mais do que as 27 exigidas pelo Regimento do Senado. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor da iniciativa, argumenta que, com a visível interferência do Planalto na Polícia Federal a favor de Milton Ribeiro, a CPI se torna ainda mais importante.

 

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