Refinaria privatizada vende gasolina 14 centavos mais cara do que a Petrobrás

A Refinaria de Mataripe, na Bahia, antiga Landulpho Alves (Rlam), já registra o recorde da gasolina mais cara do Brasil

Antiga Rlam
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247 - Privatizada em dezembro de 2021, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, antiga Landulpho Alves (Rlam), já registra o recorde da gasolina mais cara do Brasil. O litro do combustível, que historicamente custava 2 centavos a menos do que o preço médio cobrado nas outras refinarias da Petrobrás, neste ano está sendo vendido, em média, por 14 centavos a mais. Hoje, a gasolina mais barata do país é comercializada pela Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), do Rio Grande do Norte, que teve sua venda aprovada sexta-feira (28/01) pelo Conselho de Administração da estatal. As informações são do Observatório Social da Petrobrás. 

O levantamento é do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) para o Observatório Social da Petrobrás (OSP), organização ligada à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). O estudo aponta que, desde o primeiro dia deste ano até 31 de janeiro, a Petrobrás comercializou a gasolina tipo A pelo preço médio de R$ 3,18, enquanto a Acelen, empresa gestora da Refinaria de Mataripe, cobrou, em média, R$ 3,32 o litro. 

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O estudo é baseado em dados disponibilizados nos sites da Petrobrás e da Acelen sobre “preços de venda da gasolina A sem tributos, à vista, por vigência (R$/m³)”, no período de 1 de agosto de 2019 a 31 de janeiro deste ano, e confirma que a privatização da Rlam encareceu o combustível. “A série histórica disponibilizada pela estatal mostra que, entre as refinarias da Petrobrás, a gasolina da Rlam sempre foi mais barata do que a média, cenário que se inverteu após a privatização”, afirma Eric Gil Dantas, economista do OSP e do Ibeps.

De acordo com os dados analisados, nas duas primeiras semanas após a privatização, que aconteceu em 1º de dezembro, a Refinaria de Mataripe continuou vendendo a gasolina 2 centavos mais barato do que a Petrobrás. Depois, durante três dias, vendeu o litro 7 centavos mais caro e, em seguida, reduziu 3 centavos em relação ao preço das refinarias da estatal. Na virada do ano, a história muda completamente. 

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“Desde o dia 1º de janeiro, a Acelen não vendeu mais gasolina abaixo do preço das outras refinarias, como havia ocorrido historicamente. A empresa aumentou o preço três vezes só em janeiro e, com o último reajuste, no dia 22, a Acelen já cobra 14 centavos a mais do que a Petrobrás”, destaca Dantas.    

No comparativo com o valor atual praticado por cada uma das 12 refinarias da Petrobrás, a diferença é ainda maior. Com o menor preço do mercado, a RPCC vende o litro da gasolina a R$ 3,15, enquanto Mataripe cobra R$ 3,39. Ou seja, a gasolina da Acelen sai 24 centavos mais cara. “Infelizmente, essa situação não deve se sustentar com a venda da Refinaria Potiguar, anunciada semana passada pela Petrobrás. A exemplo da Rlam, que oferecia um dos menores preços do mercado e tem hoje a gasolina mais cara dentre todas as refinarias do país, a RPCC deverá percorrer o mesmo caminho com a privatização", ressalta o economista.

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Monopólio regional e PPI

Segundo Dantas, o aumento dos preços como consequência da privatização é uma dedução lógica, baseada em dois principais fatores. O primeiro deles, é a entrega de monopólios regionais do mercado de combustíveis a agentes privados. O segundo fator é que, com a venda das refinarias, o PPI (Preço de Paridade de Importação) se tornará o piso e não mais o teto do preço dos combustíveis. 

“Como a Petrobrás hoje sequer consegue suprir a demanda total de combustíveis do país, devido à ociosidade proposital do parque de refino, a única ‘concorrência’ será via importação - que só vem a partir do preço internacional”, avalia. Ele lembra que mesmo com a atual política de preços, a estatal ainda opera em média com alguma “defasagem” em relação ao preço do Golfo do México (EUA), que é a referência para o PPI. “Isso ocorre pela pressão política gerada pela inflação dos combustíveis sobre o governo federal”, argumenta.

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Alerta

O economista faz ainda um alerta sobre o futuro das refinarias que estão no radar do governo para serem privatizadas. “O que está acontecendo hoje na Bahia é o que ocorrerá com todas as outras refinarias que porventura sejam privatizadas. A empresa compradora passará a cobrar preços ainda mais elevados do que já pagamos hoje”, ressalta. De acordo com ele, não há fórmulas de uma empresa privada cobrar mais barato do que uma estatal. “Isso porque a estrutura de custos de uma empresa integrada (e a Petrobrás ainda o é, mesmo após a privatização da distribuição e revenda) abarca mais possibilidades de diminuição de preços. A Petrobrás pode reduzir o preço do combustível abaixo do valor internacional, porque ela também extrai petróleo a um custo muito menor do que, por exemplo, a Refinaria de Mataripe”.

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