Reale aponta crimes de Bolsonaro, mas se diz contra o impeachment

Jurista foi um dos pareceristas do golpe contra Dilma Rousseff, afastada sem crime de responsabilidade

Miguel Reale Júnior e Jair Bolsonaro
Miguel Reale Júnior e Jair Bolsonaro (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado | Reuters)


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247 – O jurista Miguel Reale Júnior, um dos pareceristas do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, diz que Jair Bolsonaro é um criminoso, mas é contra seu afastamento da presidência da República. “Não tenho a menor dúvida de que, juridicamente, ele cometeu crime de responsabilidade e crime comum”, afirmou à revista Veja. No entanto, ele se diz contra o impeachment. “Bolsonaro usaria politicamente a ação, diria que é vítima de um golpe e colocaria suas tropas virtuais e reais na rua para dizer que só queriam o cargo dele”.

"Não tenho a menor dúvida de que juridicamente está caracterizada a afronta ao decoro, porque decoro engloba conduta, uma forma de comportamento que respeite as leis, que respeite o direito dos outros, que não deixe prevalecer os interesses pessoais de vaidade ou políticos sobre o interesse geral; decoro envolve compostura, ponderação. Há vários atos do presidente, ao longo do tempo, que ofenderam o decoro, como os insultos a jornalistas. Tudo isso configura quebra de decoro, mas o comportamento que ele vem tendo ao longo do mês de março, em relação à pandemia, é o mais grave de todos. O que ele fez nesse final de semana foi uma loucura. Aliás, eu já disse que o caso do Bolsonaro não é um problema de impeachment, mas de interdição (em que o Ministério Público pede que o presidente se afaste e seja submetido a um exame de sanidade mental). É um processo paranóico", disse ele.

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