Ramos alterou duas vezes o próprio depoimento e defesa de Moro protestou
O ministro da Secretaria de Governo da Presidência, o general Luiz Eduardo Ramos, corrigiu dois trechos do seu depoimento que prestado à PF. De acordo com os advogados da defesa de Moro, do escritório de Rodrigo Sánchez Rios, "a modificação posterior operada no corpo do texto configura uma alteração material"
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247 - O ministro da Secretaria de Governo da Presidência, o general Luiz Eduardo Ramos, corrigiu dois trechos do seu depoimento que prestado nesta terça-feira (12) à Polícia Federal, o que gerou protestos da defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. Ramos foi ouvido no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal para apurar as denúncias de Moro sobre suposta interferência de Bolsonaro na PF.
De acordo com os advogados da defesa de Moro, do escritório de Rodrigo Sánchez Rios, "a modificação posterior operada no corpo do texto configura uma alteração material". O relato foi publicado no portal Uol.
Na primeira vez em que foi questionado por investigadores, o ministro respondeu sem dúvida que "não foi mencionado pelo presidente [Bolsonaro] que se não pudesse trocar o diretor-geral da Polícia Federal ou o superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro ele trocaria o próprio ministro". Também disse que, "na presença do depoente [Ramos] isso não foi dito na reunião do dia 22 de abril ou em qualquer outro momento", em referência à reunião ministerial, presidida por Bolsonaro, no Palácio do Planalto.
Em 22 de agosto de 2019, na frente do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse aos jornalistas: "Agora há uma onda terrível sobre superintendência. Onze foram trocados e ninguém falou nada. Sugiro o cara de um Estado para ir para lá, 'está interferindo'. Espera aí. Se eu não posso trocar o superintendente, eu vou trocar o diretor-geral. Aí é... Não se discute isso aí".
No final do depoimento, Ramos leu todo o termo antes de assiná-lo e manifestou a vontade de fazer "duas retificações". Os dois trechos anteriores deixaram de ser assertivos e ficaram desta forma: "que não se recorda se foi mencionado pelo presidente [Bolsonaro] que se não pudesse trocar o diretor geral da Polícia Federal ou o superintendente da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro ele trocaria o próprio ministro".
No segundo ponto, ficou assim: "Que [Ramos] não se lembra se na presença do depoente isso foi dito na reunião do dia 22 de abril ou em qualquer outro momento".
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