Professor processa Fundação Palmares por usar texto de sua autoria para defender banimento de livros
Segundo o professor, Deivison de Campos, um trecho de uma dissertação sua teria sido utilizado fora de contexto pela fundação comandada pelo bolsonarista Sérgio Camargo
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247 - O historiador e professor da Universidade Luterana do Brasil, Deivison de Campos, apresentou ação contra a Fundação Palmares pelo uso sem autorização de um trecho de sua dissertação que foi utilizado no relatório da instituição que defendia o banimento de livros da biblioteca Oliveira Silveira. O professor pede a publicação de nota de resposta no site da fundação e indenização por danos morais.
Em 2021, a Justiça Federal proibiu que a Fundação Palmares se desfizesse do acervo. Comandada pelo bolsonarista Sérgio Camargo, a fundação justificava a exclusão afirmando que grande parte delas era pautada por “revolução sexual, sexualização de crianças, bandidolatria e por um amplo material de estudo das revoluções marxistas e das técnicas de guerrilha”. No entanto, o acervo reúne títulos de Eric Hobsbawm, Caio Prado Jr., Celso Furtado, Karl Marx e Max Weber.
Segundo o professor, que é pesquisador e estudioso do movimento negro, um trecho de uma dissertação sua teria sido utilizado fora de contexto para defender o banimento de livros.
Para Deivison, os trechos da sua dissertação “O Grupo Palmares (1971–1978)” teriam sido usados de forma a depreciar o movimento negro no relatório “Retrato do Acervo: Três décadas de dominação marxista na Fundação Palmares”, de abril de 2021.
Na dissertação, o historiador pesquisou o Grupo Palmares, ligado ao movimento negro de Porto Alegre, do qual fez parte o poeta Oliveira Silveira. No trecho em questão, ele afirma que o grupo adotava “discurso subversivo que coloca em xeque conceitos estruturantes da sociedade brasileira como democracia racial, identidade e cultura nacional.” No relatório, a citação é usada pela Fundação Palmares para classificar o grupo como “datado” e de “mentalidade revolucionária”.
“É um dos únicos textos citados. É um documento que foi produzido com o objetivo de acusar as gestões anteriores da fundação de estarem ligadas a esse delírio de marxismo cultural. Me recuso a ter meu nome associado a essa organização nesse contexto. Considero descabido esse uso”, disse Deivison de Campos.
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