“Prisão de Delgatti causa estranheza. É preciso apurar”, diz advogado

Opinião é do criminalista e doutor em Direito Conrado Gontijo. Não existe na Constituição Federal nenhuma restrição a que veículos de comunicação entrevistem pessoas presas ou condenadas

Walter Delgatti Neto
Walter Delgatti Neto (Foto: Reprodução/CNN)


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Por Paulo Henrique Arantes, para o 247 - “Causa muita estranheza as circunstâncias em que se deu a prisão, supostamente por engano, de Walter Delgatti Neto. É preciso apurar qual foi o erro que conduziu a esse evento, inclusive para que eventuais culpados sejam responsabilizados”. A afirmação foi feita ao Brasil 247 pelo advogado criminal Conrado Gontijo, doutor em Direito Penal pela USP. 

O hacker que acessou as comprometedoras conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e a equipe de procuradores liderada por Deltan Dallagnol, no âmbito da Operação Lava Jato, passou duas horas preso na quinta-feira (25) em uma delegacia de Araraquara (SP), onde mora. Delgatti foi solto e a Polícia Civil alegou que a detenção dera-se por engano. Mais cedo, ele participara de uma audiência por videoconferência com a Justiça Federal em Brasília. O juiz federal não determinou sua prisão, contrariando o Ministério Público Federal, mas o proibiu de dar entrevistas, medida adicional às cautelares a que já está submetido.

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Juristas dizem que a proibição ou não de entrevista à imprensa, na prática, costuma levar em conta as peculiaridades de cada caso. A proibição a Delgatti veio depois da entrevista que deu à TV 247. De todo modo, não existe na Constituição Federal nenhuma restrição a que veículos de comunicação entrevistem pessoas presas ou condenadas. A interpretação jurídica óbvia que decorre desse fato é que, se a Constituição não tolhe essa liberdade, outra lei não pode fazê-lo.

O evidente cerco à liberdade de expressão do hacker que lançou luz sobre o comportamento promíscuo dos atores da Lava Jato é uma prova de que forças se cotizam para livrar a cara de juízes e promotores que agiram em conluio, ao arrepio do direito de defesa, com fins políticos.

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Gontijo, criminalista que conhece bem os métodos da Lava Jato, observa que está nas mãos do Supremo Tribunal Federal a chance de reparar os danos causados pela força-tarefa de Curitiba ao Estado de Direito. “O ex-juiz (Sérgio Moro), tanto em razão da sua atuação pública nos casos da Lava Jato, quanto em razão da parceria secreta e ilegal mantida com procuradores da força-tarefa em Curitiba, evidentemente não agiu com imparcialidade, que é essencial para que os julgamentos sejam justos e constitucionais”, salienta o advogado.

“Hoje é difícil encontrar quem duvide que ele foi o chefe do órgão de acusação, violando todos os ditames legais. Moro foi, inequivocamente, parcial, e por isso não consigo enxergar outra solução a ser tomada pelo STF que não seja declarar a nulidade dos processos em que o dever de imparcialidade do magistrado foi violado”.

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Com atuação destacada na Operação Lava Jato, a advogada Verônica Sterman foi responsável pela absolvição, no STF, do ex-ministro da Comunicações Paulo Bernardo. Ela conhece a corte, e aposta: “Não há como o Supremo passar ao largo de tudo o que era arquitetado nos bastidores dessa dita ‘operação’. O que foi - e está sendo - revelado é gravíssimo e merece pronta atenção e repreensão das autoridades”.

“Nós, criminalistas, sempre nos posicionamos contra os abusos da Lava Jato e do ex-juiz Sérgio Moro. Agora a sociedade pode ver com os próprios olhos todos os atropelos e ilegalidades que foram costuradas por essa turma, com finalidade política e eleitoreira”, argumenta a advogada.

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