Primeira indígena a comandar Funai, Joenia Wapichana toma posse: "nunca mais um Brasil sem nós"

Com a missão de reerguer a Funai, nova presidenta do órgão promete acolher demandas das organizações indígenas

Joênia Wapichana
Joênia Wapichana (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)


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Brasil de Fato - A nova presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a advogada e ex-deputada federal Joenia Wapichana, tomou posse nesta sexta-feira (3) prometendo reconstruir o órgão indigenista e fazer uma gestão pautada pelas demandas das organizações indígenas.

É a primeira vez que a Funai, criada há 55 anos, será presidida por uma pessoa indígena. "Nunca mais um Brasil sem nós", discursou Joenia.

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Usando cocar, pinturas tradicionais e um broche da Funai, Joenia disse que prioridade será demarcar, proteger e expulsar garimpeiros de terras indígenas. Para driblar a falta de recursos disponíveis para a Funai, ela anunciou que pretende buscar emendas parlamentares e parcerias com ONGs e governos estrangeiros.

 Nós estamos aqui [na Funai] não somente com a presença física, mas a presença espiritual dos nossos ancestrais. Para mim é muito forte - Joenia Wapichana

Além do termo de posse, Joenia aproveitou o evento para assinar as primeiras medidas administrativas como chefe do órgão. Ela oficializou a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para atuar junto aos Yanomami e deu o pontapé inicial a sete processos de demarcação de terras indígenas.

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Assinou ainda a restrição de uso de duas terras indígenas com presença de grupos isolados que ficaram desprotegidas sob o governo Bolsonaro: Jacareúba/Katawixi (AM) e Piripkura (MS).

"Esse é o primeiro passo que a gente tem de dar: reorganizar a Funai, fortalecer e buscar orçamento", disse.

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Funai retomada

A posse marca oficialmente o fim da gestão desastrosa do delegado da Polícia Federal (PF), Marcelo Xavier, que presidiu a Funai a partir de 2019. Fiel executor da política de "demarcação zero" colocada em prática por Jair Bolsonaro, Xavier afastou o órgão das lideranças indígenas e entregou a gestão da Funai a ruralistas e militares. 

A histórica cerimônia de posse ocorreu no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília (DF), com a presença das ministras do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. 

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No salão lotado, estavam ainda lideranças indígenas como o cacique Raoni Metuktire, e o secretário de Saúde Indígena Weibe Tapeba, além de parlamentares, ex-presidentes da Funai e servidores do órgão. 

No discurso, Joenia disse que Bolsonaro é acusado de genocídio indígena e lamentou a crise humanitária nos Yanomami. Lembrou ainda a morte do indigenista Bruno Pereira, que foi perseguido pelo governo federal ao tentar expulsar garimpeiros da Terra Indígena Vale do Javari quando era servidor ativo da Funai. 

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"A Funai está cheia de processos por omissão e negligência. Mas agora vamos reverter isso. Porque ao invés de Funai perseguir servidor, em vez de fechar as portas aos povos indígenas, a Funai tem que estar do lado dos povos indígenas", declarou Joenia. 

Indígena pioneira

Joenia se formou em Direito pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e tem mestrado em Direito Internacional pela Universidade do Arizona. Nascida em Boa Vista, (RR), foi a primeira mulher indígena do Brasil a exercer a advocacia e também a primeira deputada federal indígena do Brasil. Foi assessora jurídica do Conselho Indígena de Roraima (CIR), atuando em diversos processos demarcatórios no estado. 

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