Presidente da Anvisa diz que análise da vacina não pode ser adiada por disputa política
O presidente da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, diz que tomará medidas contra adiamento intencional de análise da vacina
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247 - O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, negou que a agência possa postergar o aval a algumas vacinas, como a Coronavac, por causa de pressões do governo de Jair Bolsonaro, que já declarou várias vezes que não vai adquirir a vacina chinesa e insinuou que a agência não vai aprová-la .
Antonio Barra Torres chegou a mencionar o código penal em entrevista à jornalista Natália Cancian na Folha de S.Paulo. "Isso está previsto no Código Penal em algum lugar. Se estamos concebendo a possibilidade de alguém daqui de dentro, intencionalmente, procrastinar, postergar ou realizar qualquer impedimento para que um medicamento salve vidas... Eu jamais vou poder cogitar isso. E, se eu tomar conhecimento, tomarei todas as medidas cabíveis."
Barra diz ainda que a origem da vacina não terá relevância na análise da agência, que ocorre de forma técnica.Ele é próximo de Bolsonaro e evitou contrapor o presidente de forma direta, mas lembrou que a maior parte das vacinas e dos medicamentos tem componentes de diversos países.
O presidente da Anvisa considera que não é razoável fixar uma data para a aprovação de uma vacina,mas espera que seja no menor tempo possível. Tudo que se relaciona com o novo vírus envolve protocolos e desenvolvimentos feitos agora, afirmou.
A reportagem questionou o presidente da Anvisa sobre a declaração de Bolsonaro de que não vai comprar a vacina chinesa porque não acredita que ela transmita segurança por sua origem. "Para a Anvisa, que acompanha esse desenvolvimento, o fato de ser da China muda algo?"
"Vale lembrar que hoje em dia os medicamentos geralmente são feitos de componentes que são reunidos. É difícil ter um medicamento que seja 100%, do insumo básico à caixinha de papelão, vindo de um único lugar", afirmou. "Para nós, em termos regulatórios, não tem nenhuma relevância de onde a vacina vem. Fazemos a análise do que atende aos pré-requisitos para ser protocolado".
A repórter insistiu: "E como o sr. avalia essa declaração? Isso não leva a uma desconfiança sobre um país que fornece boa parte dos insumos [usados em medicamentos e vacinas] ao Brasil? A Anvisa vê algum impacto nesse aspecto?"
Barra respondeu: "Não emito nenhuma opinião nessa questão de comentários políticos porque isso acaba somando a nós uma cor que a gente não tem. A agência reguladora não deve se envolver nisso sob pena de ter sua própria credibilidade maculada e questionada.
"Há uma preocupação de governadores de que a Anvisa possa sofrer uma interferência nesse processo e isso atrase o aval a alguma vacina, por exemplo. Como o sr. vê essa preocupação?"
"O que você está falando é um tipo penal e está previsto no Código Penal em algum lugar. Se temos pessoas morrendo, protocolos de vacina em andamento e se estamos concebendo a possibilidade de alguém daqui de dentro, intencionalmente, procrastinar, ou realizar qualquer impedimento a que um medicamento salve vidas... Primeiro que jamais vou poder cogitar isso. E, se eu tomar conhecimento, tomarei todas as medidas administrativas cabíveis, e tenho várias", afirmou o presidente da Anvisa.
Antonio Barra Torres disse que não foi consultado pelo governo sobre o uso da cloroquina, remédio recomendado por Jair Bolsonaro para a “cura” da Covid, sem comprovação científica.
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