Pregações e campanhas contra corrupção são em geral mentiras usadas como arma política, diz um dos maiores juristas do país
Antonio Cláudio Mariz de Oliveira critica o grupo de políticos que "instrumentaliza" o combate à corrupção
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247 - O jurista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, em artigo no Estadão, apontou as falácias do discurso anti-corrupção, adotado por um certo grupo de políticos, que "instrumentaliza" a pauta de suma importância.
Segundo ele, o debate tomou uma forma que não é razoável. As consequências dos atos são punidas, e não há um olhar para as verdadeiras causas do problema. Na realidade, o discurso punitivista não passa de enganação.
"A punição só é aplicada após o crime ter sido cometido. Assim, ela não o evita. É óbvio: as causas deste crime, sim, é que deveriam ser combatidas, e não apenas as suas consequências", escreve.
"Ter ética e adotar medidas de proteção ao erário diminuirão a corrupção, porque atingem as suas causas, ao passo que a punição só alcança os seus efeitos, portanto quando ela já foi praticada. Não a evita. Debelar as causas, sim, é necessário", escreve.
"Nesse sentido, conclui-se que a pregação de punições rigorosas, a repressão e a ameaça de cadeia são fórmulas que apenas iludem a sociedade. Pensa-se que o delito está sendo combatido, mas não está. É mentira, é ludibrio, é falácia, é enganação pura".
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