Polícia usa gás lacrimogêneo para dispersar protesto de caminhoneiros em Santos

De acordo com o Ministério da Infraestrutura, apenas duas rodovias registram bloqueios em função da greve dos caminhoneiros contra o aumento nos preços dos combustíveis

Caminhoneiros conversam com policial durante protesto em Santos
Caminhoneiros conversam com policial durante protesto em Santos (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


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Leonardo Benassatto, Reuters - Os protestos convocados por caminhoneiros nesta segunda-feira não bloqueavam estradas federais, e portos chaves do país operavam normalmente, de acordo com informações do Ministério da Infraestrutura divulgadas nesta manhã, após a polícia chegar a usar bombas de efeito moral durante a madrugada para dispersar manifestantes perto do Porto de Santos.

O acesso ao porto, no entanto, não chegou a ser bloqueado, após uma decisão liminar da Justiça que proibiu o bloqueio dos acessos ao porto, principal via de escoamento das exportações brasileiras.

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De acordo com boletim do ministério divulgado às 7h, existiam apenas dois pontos de concentração de caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, na altura do município de Barra Mansa (RJ), e na BR-153, na altura de Goiânia. Ao longo da madrugada, de acordo com os boletins da pasta, não ocorreram bloqueios totais ou parciais na pista.

Em Santos, um vídeo publicado nas redes sociais mostrou a ação da polícia usando bombas de gás lacrimogêneo. Manifestantes no local reclamaram que a ação da polícia aconteceu apesar de não ter ocorrido bloqueio da pista.

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"Nós não estávamos bloqueando a via, o trânsito estava livre. Deixamos todas as vias para os caminhões. A verdade é que tem uma liminar de um juiz aí que não deixa nem a gente protestar, que é nosso direito. A gente está pedindo só o que é nosso direito", disse à Reuters o diretor operacional do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos da Baixada Santista (Sindicam), Romero Costa.

"Os caminhoneiros autônomos estão pedindo o que é direito deles, que é o frete mínimo, a aposentadoria especial e a luta contra esse preço abusivo da Petrobras, esse preço que está o diesel que já não está dando mais", acrescentou.

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Em outubro, o preço do litro do diesel cobrado nos postos registrou sua sexta alta mensal seguida, segundo pesquisa da marca de gestão de frotas da Edenred Brasil. O litro do combustível estava em média em 5,214 nos postos do país, alta de 5,76% ante setembro, com o mercado refletindo altas nos preços de petróleo no combustível comercializado pela Petrobras, de acordo com levantamento da Ticket Log (IPTL).

Quando o valor é comparado à média de outubro do ano passado, o aumento chega a 42% nas bombas, situação que tem provocado protestos dos caminhoneiros.

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A política de preços da Petrobras, atrelada à cotação internacional do petróleo e à variação do dólar frente ao real, tem impactado também nos preços da gasolina e contribuído para uma elevação da inflação no país.

A alta dos preços dos combustíveis também tem afetado a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que na semana passada disse que a Petrobras serve para lhe dar dor de cabeça e atender a seus acionistas. A União é a maior acionista da Petrobras.

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O presidente tem falado recentemente também de suas intenções de privatizar a petroleira.

Na semana passada, Bolsonaro afirmou que pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, um estudo sobre a possível privatização da Petrobras, mas disse que o processo não seria simples, porque dependeria de aprovação do Congresso a um eventual projeto enviado pelo governo federal.

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