Petrobrás nega denúncias que acusam a estatal de fornecer conhecimento estratégico a concorrentes

Sindicalistas acusam a Petrobrás de prática ilícita ao transferir conhecimento especializado que pode beneficiar concorrentes

Esferas de armazenamento de GLP da Petrobrás
Esferas de armazenamento de GLP da Petrobrás (Foto: André Motta de Souza/Agência Petrobrás)


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Sputnik Brasil - A Petrobrás vem sendo acusada por sindicalistas de fornecer conhecimento especializado em geologia a funcionários de empresas prestadoras de serviço concorrentes, o que configuraria prática ilícita de transferência de informações estratégicas.

A acusação foi feita em uma carta enviada ao presidente da empresa, Jean Paul Prates, pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) na última terça-feira (14).

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>>> FUP denuncia transferência de conhecimento estratégico na área da geologia da Petrobrás

A denúncia aponta que o treinamento vem sendo repassado por meio de um curso de capacitação, que, segundo relatos de funcionários, não abrange os treinamentos para atividades já realizadas por profissionais terceirizados.

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"O curso significa capacitar profissionais de empresas que prestam serviços para todas as outras petroleiras concorrentes, para que estes substituam a presença de geólogos da Petrobrás nas plataformas, o que envolve informações estratégicas sobre aperfeiçoamento em descrição de amostras de calha, interpretação de perfis e estratégias para caracterização de reservatório e parada de poços após perfuração da seção evaporítica", diz a denúncia.

Segundo o coordenador-geral da federação, Deyvid Bacelar, "a situação é grave". "Estamos falando de geólogos terceirizados atuando em momento crítico do projeto de perfuração de poços e em circunstâncias que impactam diretamente na qualidade de aquisição de dados e na segurança da operação, podendo até mesmo resultar em perda do poço, o que configura prejuízo incalculável", disse o coordenador.

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Ele acrescenta que o conhecimento fornecido pelo curso "foi adquirido a muito custo e ao longo de anos de vivência operacional por parte da equipe de perfuração da Petrobrás". Segundo ele, esse conhecimento é desejado por empresas concorrentes, que "visam obtê-lo a partir da contratação desses profissionais treinados pela própria Petrobras".

Procurada pela Sputnik Brasil, a Petrobrás negou a denúncia e destacou que o curso citado pela FUP é um "treinamento básico, oferecido desde 2001 às equipes de empresas prestadoras de serviços em atividades de mudlogging", termo dado à análise da lama retirada de poços perfurados.

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"O principal objetivo deste treinamento é a padronização na execução dos serviços de descrições de rochas, elaboração de documentação e fluxo de comunicação. É realizado esporadicamente, quando da mudança de companhia prestadora de serviços, quando iniciam novos contratos, e tem a curta duração de 16 horas. Em resumo, este treinamento não é comparável aos cursos internos da Petrobrás para as equipes de geólogos, os quais têm duração básica de 840 horas e abrangência para todas as atividades necessárias à plena capacitação e exercício da função, além de outros treinamentos complementares", disse a empresa, em nota à Sputnik Brasil.

A Petrobrás acrescentou que o treinamento não configura a transferência de conhecimentos estratégicos.

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"Reiteramos que estes contratos de prestação de serviços são cobertos por cláusulas de confidencialidade e que o conhecimento compartilhado não constitui conhecimento estratégico, pois faz parte de práticas da indústria aplicadas ao contexto dos poços da empresa". 

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