Pandemia e omissão do governo fizeram situação de indígenas piorar em 2020, diz relatório do conselho indigenista
Relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) destaca a omissão do governo Jair Bolsonaro na proteção aos índios e as consequências da pandemia para várias aldeias espalhadas pelo país
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247 - Em relatório divulgado nesta quinta-feira (28), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) a atuação do governo Jair Bolsonaro na proteção aos povos indígenas. De acordo com o documento, "a grave crise sanitária provocada pela pandemia do coronavírus, ao contrário do que se poderia esperar, não impediu que grileiros, garimpeiros, madeireiros e outros invasores intensificassem ainda mais suas investidas sobre as terras indígenas".
Na contabilidade do Cimi, houve 263 casos registrados no ano passado de invasões, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio, o que representou número maior do que o de 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, quando houve 256 registros, e um aumento de 137% sobre 2018, último da gestão de Michel Temer, em que ocorreram 111 casos do tipo.
De acordo com registros da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), mais de 43 mil indígenas foram contaminados pelo coronavírus no ano passado e ao menos 900 morreram.
A pandemia também não impediu que mais casos de assassinato de indígenas no país, que aumentaram de 113 em 2019 para 182 em 2020, alta de 61%.
"Em muitos casos, o vírus que chegou às aldeias e provocou mortes foi levado para dentro dos territórios indígenas por invasores que seguiram atuando ilegalmente nestas áreas em plena pandemia", disse o relatório. "Em muitas aldeias, a pandemia levou as vidas de anciões e anciãs que eram verdadeiros guardiões da cultura, da história e dos saberes de seus povos, representando uma perda cultural inestimável", complementou.
Segundo os números citados pelo relatório, 832 das 1.299 terras indígenas no Brasil, ou 64%, continuam com pendências para sua regularização. Destas, 536 são reivindicadas pelos povos indígenas. "A paralisação das demarcações de terras indígenas, anunciada pelo presidente da República ainda durante a sua campanha eleitoral, continua sendo uma diretriz de seu governo", afirma o documento do Cimi.
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