Onda de frio provoca mortes e alta no preço dos alimentos no Brasil
Temperaturas mais frias atingiram principalmente as regiões Sul e Sudeste em julho, matou mais de duas dezenas de pessoas e destruiu plantações inteiras. Confira na reportagem da TV 247
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Por Mauro Lopes, TV 247 - O Brasil é visto mundialmente como símbolo de um país tropical, conhecido por suas praias e cenários luminosos.
Mas passou por uma onda de frio ao longo do mês de julho, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, que matou mais de duas dezenas de pessoas e destruiu plantações inteiras, com impacto direto nos preços dos alimentos.
As baixas temperaturas surpreenderam e pegaram desprevenido um país onde não existe calefação e não há costume de as pessoas terem guarda-roupas de inverno. A situação é pior para os mais pobres, especialmente para os que moram nas ruas das cidades, uma população superior a 200 mil pessoas.
A onda de frio chegou a derrubar a sensação térmica para -25°C na Região Sul, uma marca inimaginável para os brasileiros.
Nevou em várias cidades do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
No Rio de Janeiro, além de um frio intenso para os cariocas, com os termômetros chegando a marcar 10 graus, o tempo instável causou ressaca no mar com ondas de até 4 metros.
Houve geadas e lagos congelados em todo o Sul.
Até na capital paulista houve registro de geadas. De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da cidade, em 31 de julho São Paulo teve a menor temperatura em 17 anos. A média mínima registrada foi de 3,2°C e a temperatura mínima absoluta de - 3ºC.
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Com boa parte do País tiritando de frio, uma cena dramática: um senhor literalmente congelando numa calçada na zona leste de São Paulo. O nome dele: Vitor.
O relato de Paulo Escobar, que o resgatou o ao lado do padre Júlio Lancellotti, vigário das pessoas moradoras das ruas, é pungente:
Disse Paulo: “Vitor, 60 anos, estava ali deitado na calçada isolado e nos aproximamos. Levantou dolorido, congelado, grogue. Levamos ele andando com dificuldade para esquentá-lo. Colocamos cobertas, água quente, e esfregamos suas mãos e pés para aquecê-lo. Segundo os enfermeiros estava congelando, sim congelando, seu sangue e sua vida indo”.
Entre os impactos do frio intenso que chegou às regiões Sul e Sudeste do Brasil também está o aumento no preço dos alimentos.
Por causa das geadas, o IPCA, índice que mede a inflação dos alimentos, pode chegar a 7,3% em 2021. Antes da onda de frio, a projeção era de 6,7%.
Os cultivos mais impactados, segundo um estudo da XP Investimentos, são o café, as hortaliças e as frutas.
Algumas regiões do interior paulista registraram perdas de 10% a 20% em alguns cultivos. Em outros, de até 100%.
No Rio Grande do Sul, foram registradas perdas em lavouras com a queda de granizo. Foram registrados estragos nas plantações de trigo, cevada, aveia, pastagens, erva mate e na fruticultura.
Em Santa Catarina, um agricultor montou uma estufa com aquecedor para proteger a plantação de tomate.
A onda de frio que surpreendeu o Brasil causou prejuízos, adoeceu, expôs as pessoas a sofrimento e matou. Foi uma carga extra nos ombros de uma população castigada ao extremo pela pandemia do novo coronavírus e que chora cotidianamente a perda de quase 600 mil pessoas devido à Covid-19.
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