Offshore de Guedes e a lógica da lavagem de dinheiro no Brasil
Luis Nassif e Marcelo Auler conversam com Pierpaolo Cruz Bottini, diretor de Direito Penal Econômico do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
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Jornal GGN – A lógica em torno da lavagem de dinheiro e a offshore do ministro da Economia, Paulo Guedes, foram alguns dos temas apresentados no Jornal GGN 20 horas desta sexta-feira (15/10).
Nassif começa o programa com os dados da covid-19 no Brasil: 10.964 casos registrados nesta sexta-feira, queda de 27% ante o visto há sete dias, e 35% a menos em relação a 14 dias.
“Efetivamente, as vacinas finalmente fizeram efeito aqui”. A mesma coisa quando a análise se refere aos óbitos: 321 pessoas perderam a vida, queda de 29,5% ante os últimos sete dias, e 37,5% abaixo do visto há 14 dias.
Dentre os diversos temas que chamaram a atenção da última semana, um deles é a offshore do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Um dos temas relevantes que tem aparecido em todos os momentos é a questão da lavagem de dinheiro”, diz Nassif.
Para discutir a respeito do assunto, Nassif e Marcelo Auler conversam com Pierpaolo Cruz Bottini, diretor de Direito Penal Econômico do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.
“O tema da lavagem de dinheiro é importante por dois aspectos: em primeiro lugar, a gente tem acompanhado – é evidente que o combate à lavagem de dinheiro é uma forma importante de combater a criminalidade”, pontua Bottini.
“É você combater o produto do crime, para onde vai o produto do crime, a forma que ele financia as grandes organizações criminosas. É uma forma até inteligente de você desestruturar esse crime organizado”.
Por outro lado, Pierpaolo Cruz Bottini diz que o que tem sido visto tamém é a banalização de tal crime.
“A gente começa a ver o Ministério Público, muitas vezes o Poder Judiciário, chamando tudo de lavagem de dinheiro – então, Então, o sujeito pratica um crime. Seja uma corrupção, seja um roubo ao banco, seja um furto, seja um tráfico de drogas. Ele pega o dinheiro, e coloca o dinheiro em casa, em dinheiro vivo e ele é condenado por corrupção e por lavagem de dinheiro”.
De acordo com Bottini, isso faz com que a lavagem de dinheiro passe a ser usado como um tipo de adendo que, na verdade, acaba servindo apenas para aumentar a pena daqueles crimes que foram praticados sozinhos.
“É importante combater a lavagem de dinheiro, é importante que a grande criminalidade não fique impune, é importante a gente seguir para onde vai esse dinheiro – até porque muitas vezes é dinheiro público, mas por outro lado a gente não pode banalizar”
“Se a gente banalizar, a gente vai tirar o foco de perseguir aquilo que realmente é importante, e vai transformar esse crime em algo absolutamente banal, desprestigiado e desacreditado”, diz Bottini.
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