O eleitor vai escolher o candidato com mais condições para resolver o problema da fome, diz diretor do Datafolha
Mauro Paulino opina que a economia vai estar no centro das preocupações do eleitor em 2022
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247 - Na opinião do diretor do Datafolha, Mauro Paulino, os eleitores que decidem as eleições, ou seja, metade dos brasileiros que hoje sobrevivem com até dois salários mínimos vai votar, em 2022, no candidato que mostrar mais condições políticas de resolver o problema da fome e da queda do padrão de vida da população. Por isso, ele prevê que a economia vai recuperar o protagonismo que havia perdido nas eleições de 2018 para a corrupção. Como a fome cresceu, o eleitor vai escolher o candidato que mostrar mais condições e vontade política para resolver esse problema, afirma Paulino em entrevista ao Globo.
Paulino considera que, num primeiro momento, o Auxílio Brasil pode ter impacto positivo na avaliação de Bolsonaro, porque o programa não atinge só quem recebe, mas sim aqueles que conhecem alguém que recebe. Mas se a inflação continuar a crescer no início do ano que vem e tirar o poder aquisitivo desse auxílio, a maioria dos que recebem pode considerar que o dinheiro é insuficiente para se alimentar.
Rememorando cenários de eleições anteriores, o diretor do Datafolha diz que em 2006, o Bolsa Família foi decisivo para Lula se reeleger, e depois foi também decisivo para eleger Dilma Rousseff, mas esse contexto era totalmente diferente do atual, porque Lula fez com que o poder aquisitivo do salário mínimo crescesse, em uma situação de estabilidade econômica. Paulino é enfático ao dizer que não há perspectiva disso no momento presente, com a inflação acima de dois dígitos.
Paulino não acha simples para Bolsonaro quebrar a identificação dos eleitores mais pobres com Lula e trazer esse eleitor para ele. E põe em dúvida até que ponto esses eleitores, que têm menor acesso à informação, associarão o Auxílio Brasil ao governo atual. O Bolsa Família é muito diretamente associado a Lula e aos governos do PT porque veio acompanhado de um planejamento de comunicação muito forte, que ficou muito introjetado especialmente entre eleitores mais pobres do Norte e do Nordeste, opina.
Paulino lembra um dado que considera importante na pesquisa Datafolha de setembro: 57% dos brasileiros dizem nunca confiar nas declarações de Bolsonaro, e isso sobe para 61% entre os mais pobres.
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