“O Brasil está entrando em uma nova etapa de polarização política”, diz Rui Costa Pimenta
O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, falou sobre a ofensiva do governo Bolsonaro, a polarização política e a operação contra o governador Wilson WItzel, em entrevista à TV 247. Assista
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247 - O jornalista e presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, discutiu sobre a ofensiva do governo de Jair Bolsonaro contra os adversários políticos e as instituições do Estado democrático. Para ele, a nota do general Augusto Heleno, após o pedido do decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, de apreender celulares de Jair e Carlos Bolsonaro, “foi uma afronta ao País inteiro”.
Para Rui Costa Pimenta, Heleno “faz o que ele quer” e usou um “argumento do ponto de vista da força” para ameaçar toda a população. “É uma verdadeira ameaça de golpe”, disse, e reforçou que a medida foi “um passo adiante no auto golpe para defender o governo [Bolsonaro]”.
Rui lembra que os militares, da reserva e da ativa, articularam a nota golpista, apoiaram-na, ameaçando o Brasil de “guerra civil”, e ressaltou que são muitos oficiais sintonizados com o governo. O analista afirma que isso demonstra que os militares não vão se curvar diante das iniciativas legais contra o governo e salientou que “o episódio do [general] Heleno marca claramente o panorama de uma evolução da tomada do poder pelos militares”.
Nova etapa política
Rui ainda disse que, junto com a ofensiva bolsonarista e dos militares, ocorre também uma radicalização do ponto de vista da esquerda e que estamos entrando em uma nova etapa de polarização política. Para ele, isso fica demonstrado pelo pedido de impeachment unificado, pois “finalmente” toda a esquerda aceitou o “Fora Bolsonaro”. Com isso, ele aponta que esse movimento pode se desenvolver e se “tornar uma ampla mobilização pelo ‘Fora Bolsonaro’”.
Porém, ressaltou que, enquanto a direita e a esquerda se radicalizam, “o centro se dissolve cada vez mais”, pois não conseguiu controlar Bolsonaro, mostrando-se insuficiente politicamente, e uma parte expressiva teve de costurar um acordo para impedir o impeachment. “As instituições não conseguem fazer oposição ao Bolsonaro”, afirmou.
Para o presidente do PCO, não tem nenhuma alternativa, “tem que ir para a polarização”, que é uma tendência cada vez maior. E a “saída” está mais uma vez “na mão da esquerda”, que deveria aproveitar a crise da burguesia para derrubar Bolsonaro. Isso seria essencial, pois “se ninguém fizer nada, fica tudo tranquilo”.
Caso Witzel
O jornalista deu como exemplo de radicalização do bolsonarismo o caso que ocorreu com o governador Wilson Witzel, que foi alvo de uma operação que apreendeu celulares e computadores do Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Ele afirma que, independentemente de se houve ou não a corrupção denunciada, a operação contra o governador foi política. “Todas essas operações bombásticas são políticas”, disse.
“Não há dúvida nenhuma - depois de tudo o que vimos com a PF - que essa movimentação foi do Bolsonaro para atacar o Witzel”, ressaltou. O analista salientou, entretanto, que se for um movimento geral da Lava Jato contra setores dissidentes da burguesia (que não estão com Bolsonaro), isso mostra um “passo muito sólido em direção a uma ditadura”.
“Já aconteceu e continua acontecendo com a esquerda, e vai acontecer com outros setores dissidentes? É um arredondamento da ditadura” do golpe. Para ele, a única dúvida é se vai ser um caso isolado ou se o Estado vai ser usado de forma sistemática contra adversários políticos.
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