‘Nossa estrutura social sempre negou um lugar na política para negros e mulheres’, advertem Lins Roballo e Laura Sito
Vereadoras eleitas para a próxima legislatura, ambas pelo Partido dos Trabalhadores, participaram do programa “Um Tom de resistência” na TV 247 e falaram sobre os desafios que esperam pela frente num ambiente historicamente dominado por homens brancos e héteros. Assista
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 - Tendo como tema “Representatividade política”, o programa desta semana comandado por Ricardo Nêggo Tom recebeu duas mulheres negras que se elegeram vereadoras no último pleito no Rio Grande do Sul, ambas pelo Partido dos Trabalhadores: Laura Sito, em Porto Alegre, e a trans Lins Roballo, em São Borja.
“A razão de ainda termos poucos negros na política é o nosso racismo estrutural”, afirmou Laura Sito, que ficou entre as 10 mais votadas em Porto Alegre. Ela lembrou o passado escravocrata do país. “A minha avó que fez 82 anos na semana passada, até o início da vida escolar dela as escolas públicas podiam recusar a presença de negros em suas dependências. Isso significa duas gerações atrás. É tudo muito recente”.
Para Lins Roballo, a única negra e mulher que fará parte da próxima legislatura em São Borja, o preconceito institucionalizado tenta tirar a credibilidade de candidaturas oriundas de grupos minoritários. “Existe um discurso muito bem articulado para desmotivar e desqualificar a possibilidade de candidaturas que emerjam do contexto da exclusão. Por exemplo, as candidaturas da diversidade, dos negros, da periferia, sofrem todo um processo histórico de desqualificação dentro do espaço político, que tradicionalmente é ocupado por homens brancos, héteros e detentores do capital político”.
Perguntadas se acreditavam na iniciativa do empresário Abílio Diniz, um dos diretores do Carrefour e principal financiador da campanha de Bolsonaro à presidência, de criar um comitê de combate ao racismo estrutural, após o assassinato de João Alberto, homem negro morto por seguranças dentro de uma loja da rede, elas se mostraram pouco entusiasmadas com a ideia. “Abilio Diniz não apenas financiou a campanha de Bolsonaro, mas também de outros 19 candidatos do PSL em 2018. Eu vejo essa iniciativa como uma tentativa de monetizar em cima da morte do João. E isso pouco responde à brutalidade que foi cometida contra ele”, disse Laura. Para Lins Roballo, “É humanamente impossível acreditar nessa proposta, porque estamos falando de um contexto de branquitude que não consegue compreender corpos negros dentro do contexto da malha social”.
Sobres os compromissos firmados em campanha, elas reafirmaram a importância de lutar pela diversidade. “Nós organizamos um planejamento estratégico de governança baseado em cinco pilares. Direitos das mulheres, igualdade racial sob a perspectiva de fortalecimento da identidade negra, diversidade e proteção aos corpos LGBT’S, geração de trabalho e renda e o acesso dos moradores da periferia ao centro da cidade”, explicou Lins. Laura Sito citou algumas das propostas que pretende implementar durante o seu mandato e disse o que os seus eleitores podem esperar dela na câmara. “Vamos promover políticas públicas que tenham como finalidade a população negra e a cultura negra de Porto Alegre. Se eu pudesse definir o nosso mandato em uma palavra, ela seria combatividade. Assim, vamos honrar os compromissos firmados em campanha”.
Inscreva-se na TV 247, seja membro e compartilhe:
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247