No pós-pandemia, “nosso maior desafio será a favela”, diz Tainá de Paula

A arquiteta e assessora do MTST Tainá de Paula afirmou à TV 247 que “é como se a pandemia tivesse aberto a caixa de Pandora e descoberto as desigualdades. Temos acúmulo de negligência sobre isso”. Assista

Tainá de Paula
Tainá de Paula (Foto: Divulgação | Reuters)


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Regina Zappa, 247 - A arquiteta e urbanista Tainá de Paula, mestre em Urbanismo pela UFRJ, assessora do MTST, integrante da Comissão de Gênero do Conselho dos Arquitetos e Urbanista (CAU-RJ), entre outras atividades, acredita que a esquerda precisa produzir com urgência uma agenda de saída da crise para as populações carentes fincada em plataformas muito concretas de ação. 

“As pessoas vão querer respostas claras. Desde o golpe contra Dilma não temos planejamento algum, o que significa não ter perspectiva de desenvolvimento. Essa é a receita da economia atual. Nosso maior desafio será a favela. Não dá mais para não ver a realidade das favelas. As injustiças de antes da pandemia continuarão se não criarmos uma agenda direta e específica para esses territórios”, analisou a arquiteta.

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Para Tainá, mais que nunca é preciso reabrir o debate do direito do brasileiro à moradia. “É como se a pandemia tivesse aberto a caixa de Pandora e descoberto as desigualdades. Temos acúmulo de negligência sobre isso”.

Ela avalia que a primeira grande luta é contra o bolsonarismo e o fascismo, que se estabelecem como natural no Brasil. "A pandemia nos atravessa de uma forma muito contundente. Minha tarefa hoje é criar e consolidar nossa estratégia anti-bolsonarista.”

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Embora não veja com otimismo a pós-pandemia, Tainá acha que a mudança de padrão de higiene do brasileiro com a crise sanitária vai pressionar para se discuta com outro olhar o debate da melhoria habitacional. Segundo ela, a vulnerabilidade das pessoas será uma janela para esse contraponto: todos vão querer uma agenda de bem-estar social.

“Vejo escritórios de crise criados pelas lideranças nas favelas brasileiras, grupos organizados da sociedade criando respostas contundentes a essas questões. A organização popular é potente, mas vejo com preocupação a negligência dos nossos gestores públicos e a ausência de práticas políticas que perpetuam esse abandono”, falou.

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Tainá, que deve se candidatar a vereadora pelo Rio de Janeiro, tem esperança: “ O brasileiro se reconstrói. Já passamos por crises profundas. É possível estabelecer uma outra forma de construir e reconstruir a sociedade que queremos. A que eu quero é a sociedade que vai voltar à rua, invadir o espaço público e ter outra relação com a sociedade”.

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