Nathália Urban: Biden oferece aliança a Bolsonaro
“A visita do assessor de Segurança Nacional Jake Sullivan é mais uma prova de que o governo Biden não tem escrúpulos em apoiar o regime brasileiro de extrema direita dominado pelos militares”, diz a jornalista Nathália Urban
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Por Nathália Urban, no Brasil Wire
O assessor de Segurança Nacional do presidente Joe Biden, Jake Sullivan, visitou o Brasil na quinta-feira e deu um início positivo de uma agenda entre os Estados Unidos e o Brasil, embora no passado muitos acreditassem que deveria haver uma animosidade entre Bolsonaro e Biden, por causa do suporte explícito do clã Bolsonaro a Donald Trump.
Mesmo assim, os americanos chegaram de boa vontade a Bolsonaro e, ao mesmo tempo, alertas vermelhos foram levantados devido aos seus planos para vários países latino-americanos.
Idiotas úteis
Um tema de destaque no almoço oferecido pelo chanceler Carlos França foi a situação política na América Latina e no Caribe. Os representantes dos dois países falaram não só de Cuba, Venezuela e Nicarágua, mas de cada um dos vizinhos da região e defenderam “a necessidade de preservar e proteger a democracia no hemisfério”. A situação atual da região também foi discutida em reunião matinal com os generais Augusto Heleno e o ministro da Defesa, Braga Netto. É a segunda vez em um mês que um alto funcionário do governo dos EUA aborda o governo Bolsonaro para mostrar preocupação com os movimentos populares anti-imperialistas na América Latina. Durante uma visita do diretor da CIA, William J. Burns, em julho, o próprio Bolsonaro admitiu que esse tópico foi discutido.
Após um aumento da agressão dos Estados Unidos à América Latina, não é surpreendente que o governo Biden busque uma aliança com Bolsonaro, que já foi implicado no golpe de 2019 na Bolívia, na agressão contra manifestantes no Chile e várias agressões gratuitas contra o presidente argentino Alberto Fernandez e o governo venezuelano.
Além da interferência regional, o enviado de Biden veio ao Brasil para tentar minar o avanço da China no setor de telecomunicações.
Os EUA querem que a China fique fora do leilão 5G, que ocorrerá ainda este ano. A missão chefiada por Sullivan discutiu o assunto com autoridades brasileiras, incluindo os ministros Fábio Faria, da Comunicação, e o General Augusto Heleno, da Segurança Institucional.
Os EUA têm feito campanha mundial contra o uso de equipamentos chineses. No entanto, o setor brasileiro de telecomunicações é contra a barragem de empresas chinesas.
Momento delicado
Entre os temas debatidos, porém, apesar de não ter predominado na reunião, estava a preocupação dos norte-americanos com a tensão entre os poderes Executivo e Judiciário, em decorrência dos ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e membros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A delegação norte-americana vê semelhança entre a campanha de Bolsonaro e a do ex-presidente norte-americano Donald Trump, derrotado em 2020 por Biden e incentivou uma campanha para denunciar uma suposta fraude eleitoral, levando à invasão, em janeiro deste ano, do Capitólio (Parlamento dos EUA).
Apesar disso, eles reiteraram o apoio dos Estados Unidos à candidatura brasileira à OCDE e sinalizaram uma parceria em meio ambiente não só com o governo federal, mas também com os governadores dos estados.
Tradução livre para o português
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