Nassif faz o "xadrez" do assassinato de Marielle Franco

"A troco de quê milicianos se interessariam por política, a ponto de investigar políticos que eram contra a intervenção no Rio de Janeiro?", questiona o jornalista

(Foto: Divulgação)


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247 - O jornalista Luis Nassif, em artigo no GGN, fez o "xadrez" da morte de Marielle Franco. 

A primeira peça é o histórico de pesquisas na Internet de Ronnie Lessa, identificado como o executor da morte da ex-vereadora. 

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"Havia um histórico de pesquisas no Google buscando políticos que eram contra a intervenção militar no Rio de Janeiro. As buscas foram dar em vários mas, especialmente, em Marielle Franco, a maior crítica", escreve. 

"A troco de quê milicianos se interessariam por política, a ponto de investigar políticos que eram contra a intervenção?", questiona. 

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A segunda peça é a Operação Garantia de Lei e Ordem no Rio de Janeiro, que levou a um pacto entre o STF, Michel Temer e os militares. 

"Não havia nenhuma justificativa para dois pontos centrais. Primeiro, o álibi da segurança nacional. Por mais que o Rio estivesse imerso em caos, nem de longe se poderia falar em ameaça à segurança nacional (Braga Netto). Segundo, o fato do comando ter sido entregue a um general, afrontando a própria Constituição – que determinava claramente que o comando de qualquer GLO deveria ser civil", escreve. 

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A terceira peça é a postura anti-eleições dos militares à época. 

Além dos ataques ao processo eleitoral, militares e o então deputado Jair Bolsonaro criticavam o modelo de intervenção federal determinada por Michel Temer. 

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À época, Bolsonaro disse que o modelo de intervenção federal determinada por Michel Temer se presta a “servir esse bando de vagabundos” -- ou seja, aos membros do governo. Disse que a decisão foi tomada “dentro de um gabinete” e não consultou as Forças Armadas.

A quarta peça: o caso Riocentro

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Jair Bolsonaro é "admirador de um grupo cujo modo de ação consistia em atentados visando comprometer a ordem democrática", escreve.

"Àquela altura, Marielle Franco se tornara a maior crítica da intervenção. Sua morte comprometeria agudamente a intervenção militar -- como de fato ocorreu. Nos meses seguintes, o interventor general Braga Netto foi desafiado a desvendar o crime. Chegou a anunciar, algumas vezes, que estaria próximo do desfecho", escreve.

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Por fim, as peças se encaixam.

  1. O assassino de Marielle pesquisando vereadores contrários à intervenção no Rio.
  2. O assassino morando vizinho do principal crítico da intervenção, o deputado Jair Bolsonaro. Aliás, saindo de lá para executar a vereadora.
  3. O fato de que a morte de Marielle colocaria em xeque a intervenção militar e os antecedentes do Riocentro -- envolvendo os mesmos grupos militares aos quais se filiava Bolsonaro.
  4. As afirmações do então Ministro Raul Jungman, sobre forças influentes que impediam o avanço das investigações.
  5. O pacto entre o general Villas Bôas e Bolsonaro, que resultou na ascensão de Braga Netto.

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