'Não quis ser responsável por ação equivocada', diz médico que deixou governo por apoiar quarentena
"A gente sabe que, se não tiver isolamento, vai aumentar o número de casos. Vai superar nossa capacidade", afirma o infectologista Julio Croda, que também é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
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247 - Infectologista e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), o médico Julio Croda acompanhou de dentro do ministério da Saúde a escalada da disputa com Jair Bolsonaro até que, no fim de março, decidiu deixar o governo. De acordo com o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a troca de ministro da Saúde será o desfecho de um enredo de derrota no combate ao coronavírus. O Brasil tem pelo menos 28,9 mil confirmações e 1.760
"Não quis ser responsável por essa recomendação equivocada contra o isolamento social e por um número importante de óbitos", afirmou o ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis. "Se a gente já tinha dificuldade com ministério mais técnico, perdemos essa capacidade (com a troca)", acrescentou. A entrevista foi concedida ao jornal O Estado de S.Paulo.
De acordo com o médico, o isolamento no Brasil "salvou muitas vidas". "Não quis ser responsável por essa recomendação, equivocada, contra o isolamento. E responsável por um número de óbitos importantes. A gente sabe que, se não tiver isolamento, vai aumentar o número de casos. Vai superar nossa capacidade".
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