'Não é segunda onda, é tsunami', diz moradora de Manaus que perdeu 12 conhecidos

Professora do curso de artes na UFAM, Claudia Carnevskis, 37, relata a dor de viver em Manaus, com sofre com falta de oxigênio e tem um sistema de saúde em colapso devido à pandemia do coronavírus. O pior da pandemia, diz ela, não passou. "Tenho certeza de que é agora", relata. "Não é segunda onda, é um tsunami". A docente afirma que já perdeu 12 conhecidos

(Foto: Reprodução | Reuters)


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247 - "Perdi muito mais pessoas nesta semana para a covid-19 do que em todo ano de 2020. Não é segunda onda, é um tsunami", relata Claudia Carnevskis, 37, professora do curso de artes na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). "Quem está em outros estados precisa estar ciente que essa variante é muito mais forte", acrescenta. A entrevista foi concedida ao portal Uol

A capital amazonense sofre com a falta de oxigênio e recebeu ajuda tanto da Venezuela como de outros estados. Também está com unidades de saúde superlotadas.

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A docente afirma que já perdeu 12 conhecidos. "Achávamos que o pior momento da pandemia tinha sido entre março e abril do ano passado, mas tenho certeza de que é agora", relata.

"Quando soube que minha amiga estava internada com covid-19, pensei em ligar. Mas achei melhor esperar até ela ir para o quarto. Não deu tempo. Ela jamais vai saber que eu me importava. A lição que ficou é que tudo é hoje. Quero ficar com meus filhos, ser amorosa com meus amigos e alunos", acrescenta. 

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A professora enviou a filha para a casa do pai, em Vitória, no Espírito Santo. "Não quero que ela volte agora. Quebrar uma perna pode significar não ter atendimento médico", comenta.

A docente recorre de canais de comunicação em sua "corrida pelos cilindros". "Um grupo no WhatsApp dedicado a professores e alunos da universidade em que dou aula se transformou num local para trocar informação sobre onde tem oxigênio e o preço", afirma. "As pessoas praticamente acampam em frente aos hospitais e, quando o oxigênio acaba, correm para comprar".

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Descaso

Documentos apontam que o ministério da Saúde, comandado atualmente pleo general Eduardo Pazuello, sabia do cenário crítico sobre o sistema de saúde em Manaus oito meses antes de ser constatada a falta de oxigênio em hospitais da capital. 

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Assessor especial do ministro Eduardo Pazuello, Aírton Antônio Soligo aparece na tabela de gastos da pasta com viagem marcada para Manaus entre os dias 3 e 5 de maio de 2020.

Além das novas informações da agência, a Advocacia-Geral da União (AGU) havia informado ao STF que o governo federal sabia do iminente colapso do sistema de saúde no Amazonas 10 dias antes da crise. O ministério relata reuniões do secretariado do ministério da Saúde, realizadas entre 3 e 4 de janeiro, onde foi constatada a "possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde, em dez dias".

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Em outra manifestação, o procurador da República Igor Spindo disse que a causa principal para que o oxigênio faltasse para pacientes de coronavírus em Manaus na última semana foi a interrupção do transporte deste insumo pela Força Aérea Brasileira (FAB), ainda não se sabe por ordem de quem. 

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