Mulheres relatam abusos de maridos na quarentena: "Me trata como empregada"
Violência psicológica durante o período de confinamento pode começar a partir de estresse pela falta de divisão de tarefas domésticas
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247 - A paulistana Raquel*, 34, não pode conversar com a reportagem de Universa por telefone para relatar as agressões psicológicas que vem sofrendo do marido. "Ele fica ouvindo tudo o que eu falo", afirma, por mensagem no Whatsapp. A reportagem é do portal UOL.
Confinada em casa com ele e o filho de 10 anos, ela diz estar sofrendo humilhações e ofensas desde que ambos se fecharam em casa, seguindo a orientação do governo do estado de São Paulo para que as pessoas mantenham distanciamento social durante a pandemia do novo coronavírus.
E o estopim para a violência psicológica é a divisão de tarefas domésticas — na verdade, a falta dessa divisão, já que tudo recai sobre Raquel. "Ele simplesmente não ajuda em casa e me trata como uma empregada mesmo. Lavo, passo, cozinho, cuido do filho, cuido do cachorro. Quando reclamo, ele vem para cima. Fica com raiva, descontrolado e me ameaça. Diz: 'Você vai ver', e coisas do tipo", desabafa.
Para a promotora Fabiana Dal'Mas Rocha Paes, promotora do Gevid (Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), o excesso de trabalho doméstico já é, por si só, um fator de estresse e sobrecarga física e mental para as mulheres. "E aí se cria um ambiente propício para a violência no momento em que elas solicitam a colaboração dos homens", explica Fabiana.
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