Mulher morre em Manaus com tratamento clandestino com cloroquina; médico fala em experimento nazista

A ginecologista e obstetra paulistana Michelle Chechter descumpriu todos os protocolos de saúde estabelecidos e aplicou clandestinamente em seus pacientes contaminados pela Covid-19 um tratamento experimental de nebulização com cloroquina, causando a morte de ao menos quatro pessoas

(Foto: Reprodução)


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247-  Em método “experimental” letal semelhante ao utilizado pelo médico nazista Josef Mengele no campo de concentração de Auschwitz, a ginecologista e obstetra Michelle Chechter , que atua em Manaus com o marido, o também médico Gustavo Maximiliano Dutra, descumpriu todos os protocolos de saúde estabelecidos e aplicou clandestinamente em seus pacientes contaminados pela Covid-19 um tratamento experimental de nebulização com cloroquina, que consiste na inalação de comprimidos macerados e diluídos. No caso mais grave, o uso do medicamento pode ter causado a morte de quatro pacientes. 

Segundo revela a reportagem do jornal Folha de S.Paulo, em meados de fevereiro, o auxiliar de produção Cleisson Oliveira da Silva, 30, apreensivo, cuidava do filho recém-nascido, no IMDL (Instituto da Mulher e Maternidade Dona Lindu), hospital público estadual em Manaus. Na UTI, a esposa, Jucicleia de Sousa Lira, 33, lutava contra a Covid-19.

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Sua irmã, que mora em Santarém, no Pará, enviou por WhatsApp um vídeo em que Lira aparece sorridente durante uma sessão de nebulização de hidroxicloroquina.

Foi por meio dessa mensagem, originada a 600 km de distância, que Silva descobriu que sua mulher, em estado grave e dias após um parto de emergência, havia recebido um tratamento experimental baseado em um medicamento ineficaz contra o novo coronavírus e que pode gerar reações adversas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

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Depois da nebulização, a saúde de Lira não parou de piorar. Até que, em 2 março, a técnica em radiologia morreu, 27 dias após o nascimento do filho único. O hospital informou à família que a causa foi infecção generalizada em decorrência da Covid-19.

 O viúvo diz que, durante as conversas no hospital, Chechter não o consultou sobre a nebulização ou o vídeo.

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Relatos obtidos pela reportagem afirmam que pelo menos outras três pacientes receberam nebulização mesmo sem terem autorizado. Todas morreram. Uma delas teria sido Ingrid Chaves, 32, internada com Covid-19 quando estava grávida de cinco meses.

Para aplicar o tratamento experimental, que consiste na inalação de comprimidos de cloroquina macerados e diluídos, Chechter ignorou todas as boas práticas, segundo o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo.

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“Nunca vi isso. Não sabemos quantos pacientes foram utilizados, não há termo de consentimento nem comitê ético. É até mau gosto chamar de estudo. Trata-se de um experimento mengeliano”, conclui Oliveira, em referência ao nazista Josef Mengele, que realizou experimentos letais no campo de concentração de Auschwitz.


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