MST retoma ocupações gradualmente com maior controle da pandemia

Em 15 dias, foram três novas ocupações de terra pela Reforma Agrária Popular nos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Norte

(Foto: Comunicação MST)


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247 - Após um período de quarentena e foco na produção agrícola para as ações de solidariedade popular, o Movimento Sem Terra (MST) retoma gradualmente as ocupações por Reforma Agrária. Em 15 dias, foram três novas ocupações de terra pela Reforma Agrária Popular nos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Norte.

Depois de 18 meses de respeito às orientações de distanciamento social, com o foco nas tarefas de produção, solidariedade e articulação da campanha Fora Bolsonaro, o MST retoma a sua principal forma de luta, levada a cabo pelo movimento em quatro décadas.

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As condições da retomada das ocupações vem sendo debatida nas assembleias nacionais com militantes das grandes regiões do Brasil. Com o avanço da vacinação contra o coronavírus e o aprofundamento da crise social, cresce a demanda por terra em comunidades de trabalhadores e a abertura para o trabalho de base para organizar ocupações de terra.

“A ocupação é uma ferramenta legítima de luta pela terra e cobramos do Estado agilidade na destinação de terras para assentamentos de Reforma Agrária, pois as famílias trabalhadoras Sem Terra são diretamente impactadas neste momento de crise e precisam da terra para ter uma forma de viver e de trabalhar”, disse Aparecido Gomes Maia, dirigente do MST em São Paulo após as últimas ocupações realizadas neste final de semana. 

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Cerca de 50 pessoas ocuparam a fazenda Santa Cruz do Kurata, localizada no município de Mirante do Paranapanema, no Pontal, em São Paulo, no dia 23 de outubro. A fazenda tem cerca de 1.400 hectares e faz parte de uma das centenas de latifúndios transitados e julgados como terras griladas na região. 

A manifestação tem como objetivo pressionar o Estado para a arrecadação de terras devolutas para a Reforma Agrária e manifesta contrariedade ao Projeto de Lei 410/2021 no Estado de São Paulo, que viabiliza a regularização de terras obtidas de forma ilegal.

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Chapada Diamantina, Bahia

Com gritos de ordem “ocupar, resistir e produzir”, no sábado (23), mais de 40 famílias da Brigada Zacarias, do MST na Chapada Diamantina, ocuparam a fazenda Água Branca, no município de Ruy Barbosa, Bahia.

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Na fazenda, que tem 600 hectares improdutivos e não cumpre a função social da terra, as famílias Sem Terra montaram barracos e começaram o processo de produção de alimentos saudáveis.

As famílias que ocuparam a fazenda Água Branca são egressas do acampamento Olga Benário, da antiga ocupação da fazenda Santa Maria, em Itaberaba, região da Chapada Diamantina, Bahia. Na luta pela terra desde 2014, 100 famílias sofreram despejo truculento por parte da polícia na semana passada. 

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“O ato de ocupar mostra nossa indignação contra esse governo assassino e também tem o objetivo de esperançar, de mostrar para as famílias da cidade que é possível não morrer de fome, que é possível produzir alimentos saudáveis, que é possível sonhar. Hoje somos agentes de transformação social e lutaremos para acabar com a fome do povo e a ocupação traz esse elemento central, subverter a lógica capitalista e democratizar a terra”, avalia Abraão Brito, da Direção Estadual do MST na Bahia. 

Seridó, Rio Grande do Norte

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Desde 16 de outubro, a partir da organização de 150 famílias Sem Terra, o  Acampamento Retomada Seridó, no Rio Grande do Norte, foi montado às margens da RN-188, entre os municípios de Jucurutu e Caicó.

A ocupação da entrada da sede da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) vem recebendo pessoas. Com a situação de pobreza e fome na região, o acampamento cresce e pode abrigar 300 famílias nas próximas semanas. 

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O acampamento sofreu ameaças depois da disseminação de “fake news” espalhadas nas redes sociais por bolsonaristas, que incitaram os fazendeiros a atirar contra as famílias de trabalhadores rurais.

“Estamos à margem da BR, em um acampamento permanente. E esse acampamento só vai sair daqui quando as autoridades solucionarem a questão da terra aqui da região do Seridó, que seria um assentamento das famílias Sem Terra da região”, afirmou Jonh Nascimento, dirigente do MST no Rio Grande do Norte.

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