MPF arquiva inquérito contra sociólogo que comparou Bolsonaro a "pequi roído"

O MPF refutou a acusação do ex-ministro da Justiça André Mendonça e disse que a crítica a Jair Bolsonaro mostrou-se claramente como posição política, e por isso deve ser respeitado o direito à liberdade de expressão dos cidadãos

Sociólogo Tiago Costa Rodrigues está sendo investigado por dizer em outdoor que Jair Bolsonaro "não vale um pequi roído"
Sociólogo Tiago Costa Rodrigues está sendo investigado por dizer em outdoor que Jair Bolsonaro "não vale um pequi roído" (Foto: Reprodução)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - O Ministério Público Federal (MPF) arquivou inquérito da Polícia Federal que apurava suposto crime contra a honra de Jair Bolsonaro por conta de outdoors instalados em Palmas (TO). Em um deles, Bolsonaro é chamado de "cabra à toa, não vale um pequi roído"

A confecção e instalação foi organizada pelo sociólogo Tiago Rodrigues. Em entrevista à TV 247, Rodrigues criticou o inquérito, iniciado a pedido do então ministro da Justiça André Mendonça, classificando-o como tentativa de intimidação a opositores do governo. 

continua após o anúncio

Para o MPF, as mensagens mostraram-se claramente como posições políticas e por isso deve ser respeitado o direito à liberdade de expressão dos cidadãos. “Os fatos narrados nos autos colocam em aparente conflito a defesa da honra subjetiva e a garantia da liberdade de pensamento, expressão e crítica resguardada pela Constituição Federal/88. Sobre as liberdades garantidas pela CF/88, o art. 220 dita que ‘a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição’, ressaltando-se a redação de seu parágrafo 2º, segundo o qual ‘é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”, explicou o MPF.

O MPF apontou que, na análise do caso, não foi possível afirmar que as mensagens tinham o objetivo de ofender a honra de Jair Bolsonaro, mas buscavam externar a insatisfação política dos investigados e das pessoas que ajudaram a financiar os custos da locação e instalação dos outdoors. 

continua após o anúncio

Para o MPF, agentes públicos estão mais sujeitos a críticas. “Nas declarações do investigado predominam a crítica à ação política governamental e não o intuito de ofender a honra alheia”, destaca o MPF.

“Destarte, a crítica – ainda que veemente, ácida, irônica e até injusta – aos governantes, às instituições públicas e à ordem social figura no núcleo essencial da liberdade de expressão, correspondendo à sua esfera mais intensamente protegida, de maneira que a criminalização de manifestações, ainda que duras, dirigidas contra elevadas autoridades, como o presidente da República, revela-se incompatível com a Constituição da República”, finalizou o MPF, defendendo o arquivamento da investigação.

continua após o anúncio

Inscreva-se na TV 247, seja membro, e assista à participação de Tiago Rodrigues no Dia em 20 Minutos:


continua após o anúncio

Leia a decisão do MPF na íntegra:

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247