Montadoras pedem ao MP prorrogação de metas ambientais

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores quer a prorrogação da nova fase Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores. O programa estabelece limites de emissão de poluentes

(Foto: © Agência Brasil/Arquivo)


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Brasil de Fato - A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pediu ao Ministério Público Federal (MPF) a prorrogação dos prazos da nova fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), prevista para começar em 2022.

Uma das políticas para a melhoria da qualidade do ar mais antigas do Brasil, o Proconve existe desde de 1986 e define limites de emissão de poluentes por automotores.

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A implementação de novas tecnologias nos automóveis para esse fim é feita de maneira gradual no Brasil, com prazos de adequação para cada etapa. A próxima fase, voltada para veículos pesados, foi definida em 2018. O acordo teve participação das próprias fabricantes.

Após o início da pandemia, ainda em 2020, o setor começou uma movimentação para tentar adiar os prazos. Na ocasião, usou a crise do coronavírus como justificativa. No entanto, no ano anterior, a indústria automotiva registrou crescimento de 8,6% nas vendas, melhor resultado desde 2014.

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Na ocasião, o Ministério Público encaminhou uma recomendação formal ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) sinalizando a inviabilidade jurídica do pedido de prorrogação do Proconve. 

Sem resultados no Conama e no MMA, a Anfavea levou um pedido formal ao Ministério Público. A proposta do setor é de adiamento em um ano. Novamente, a explicação para a demanda é a pandemia. 

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Em dezembro do ano passado, a associação pediu uma reunião para apresentar considerações sobre a manifestação do MPF, de autoria do Grupo de Trabalho Qualidade do Ar da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão.

No pedido, a Anfavea dizia pretender "apresentar uma nova alternativa, sem impacto ambiental negativo" e que poderia solucionar "a falta de normas complementares e os atrasos no processo de desenvolvimento de engenharia dos veículos que realmente existem".

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Especialistas alertam, no entanto, que um eventual atraso na implementação da nova fase do Proconve, tem potencial para deixar o ar mais tóxico, vai aumentar a pressão sobre o sistema de saúde e até mesmo as mortes por diversos males causados pela poluição.

A demanda da Anfavea foi encaminhada à primeira instância na Procuradoria da República em São Paulo (PR/SP) e tramita como “Notícia de Fato”. Ainda não houve definição final sobre o assunto. 

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O perigo invisível

A próxima etapa do Proconve pode diminuir em mais de 80% as emissões de poluentes por ônibus e caminhões no Brasil. A mudança prevê redução considerável do chamado de material particulado, a partir de filtros instalados nos veículos a diesel.

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Considerado um dos mais danosos ao organismo humano, o material particulado está associado ao câncer de pulmão, câncer na bexiga, derrame cerebral, dentre outros males.

A poluição do ar é a principal causa ambiental de adoecimento e mortalidade no mundo, está a frente de problemas causados pela água insalubre e doenças transmitidas por vetores. 

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Mais de 40% das mortes por doenças do coração, 15% das mortes por acidentes vasculares cerebrais (derrames encefálicos) e 35% das mortes por doenças respiratórias estão associados a má qualidade do ar.

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