Ministério da Saúde lança guia para a atividade física e veta presença de seu coordenador, Pedro Hallal, no evento

“É retaliação que chama, né?”, ironizou o pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Segundo ele, a retaliação se dá pelo seu depoimento à CPI, onde fez críticas ao governo

Pedro Hallal e o guia para atividade física
Pedro Hallal e o guia para atividade física (Foto: Walterson Rosa/MS | Divulgação)


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Por Ana Luiza Basilio, da CartaCapital - Coordenador de um guia distribuído pelo Ministério da Saúde, o epidemiologista e professor de Educação Física Pedro Hallal não foi convidado para a cerimônia de lançamento da obra. O pesquisador diz sofrer ‘retaliação e perseguição’ do governo após seu depoimento à CPI da Covid .

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira foi lançado nesta terça-feira 29 pelo Ministério da Saúde. Hallal coordenou a elaboração do documento, com uma equipe de cerca de 70 pesquisadores.

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“Recebo até com naturalidade a notícia porque, infelizmente, essas práticas autoritárias e antidemocráticas viraram rotina no Brasil. Mas há uma tristeza pela falta de reconhecimento não a mim, mas aos 70 pesquisadores que, sob minha liderança, se juntaram para desenvolver esse documento que deveria ser uma marco na história da pesquisa e da prática da atividade física no País”, lamenta.

O pesquisador explica que o Ministério da Saúde já havia previsto e desmarcado anteriormente o lançamento do guia e que, ao anunciar a programação desta terça, retirou a participação do comitê científico da agenda. “A ação, infantil, aconteceu muito provavelmente pelo medo deles de que eu fosse representar o comitê, mas já tinha decidido internamente que não seria eu”, revela. “Imagina que chato eu, tão crítico à postura do governo em relação à pandemia, ter que dividir mesa com secretário, com ministro”, acrescentou. A apresentação do ministério contou com a participação do secretário da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara.

Para Hallal, o documento não foi devidamente apresentado, nem contextualizado no cenário da pandemia – as práticas foram apresentadas sem as devidas orientações sobre uso de máscara e distanciamento social. “Se o documento estivesse sendo apresentado pelos pesquisadores, obviamente faríamos essa contextualização da promoção da atividade física no contexto da pandemia”, observou.

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“Mas, como foi apresentado por aqueles que negam a pandemia, ou eles esqueceram ou negaram a importância de considerar essa informações”, criticou. “Esse é um dos motivos pelos quais um documento desta natureza não pode ser apresentado por políticos”, emendou o pesquisador, que já prevê um lançamento científico do guia para a quinta-feira 1 de julho.

O guia foi encomendado durante a gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, em 2019, antes da pandemia. Esse seria um dos fatores a explicar o fato de o documento não mencionar as recomendações sanitárias contra a Covid-19. “Além disso, o guia vai durar 20 anos, não tem essa delimitação temporal”, explicou. Hallal também esteve à frente da pesquisa sorológica EPICOVID19, que tinha o intuito de medir a expansão da pandemia no País. O Ministério da Saúde encerrou a parceria com a Universidade Federal de Pelotas antes que a pesquisa fosse concluída.

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O pesquisador ainda comentou sobre a importância do guia, que se divide em oito sessões e direciona atividades físicas para crianças, jovens, adultos, idosos, mulheres gestantes e pessoas com deficiência, além de dedicar um capítulo à educação física escolar e aos conceitos e definições na área.

“Já faz muito tempo que se sabe que a atividade física é importante para a saúde. Em 2012, publiquei um artigo falando que a inatividade física causa 5 milhões de mortes por ano no mundo. O Brasil, embora tenha uma farta pesquisa em atividade física e saúde, algum sistema de monitoramento do nível de atividade física da população e boas experiencias em intervenções de atividade física, não tinha um guia com recomendações diretas para a população. O nosso esforço foi de dizer quanto, como e quais atividades as pessoas devem praticar para atingir benefício para a saúde”.

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O Ministério da Saúde considera distribuir 74 mil exemplares do guia para secretarias estaduais e municipais de saúde. Além disso, o documento será enviado a profissionais e usuários do Programa Academia da Saúde, centros de reabilitação com foco na atenção às pessoas com deficiência visual, ministérios e órgãos governamentais. O guia também será disponibilizado pela pasta em formato digital em inglês e espanhol, em braile e em áudio.

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