MCTIC faz acordo sorrateiro com a Cisco sobre tecnologia 5G e deputados da oposição questionam
Ministério da Ciência e Tecnologia firmou acorco, sem licitação nem consulta pública, com a empresa de tecnologia Cisco System para uma série de atividades, como tecnologia de videoconferência para atendimento remoto de saúde durante a pandemia
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia
Um acordo que é de interesse de toda a sociedade vem sendo tratado sorrateiramente entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e a empresa de tecnologia Cisco System, Inc. Com o nome de “Acelerando a Transformação Digital”, o que a negociação faz, de fato, é colocar o Brasil no meio de uma guerra de gigantes estabelecida entre EUA e China, pelo domínio do mercado da tecnologia móvel 5G.
Por que o acordo não passou pelo Congresso? Por que a questão não foi levada à luz para toda a sociedade? Estas e outras perguntas estão sendo feitas pelas deputadas federais Margarida Salomão (PT-MG) e Natália Bonavides (PT/RN) e os deputados federais Pedro Uczai (PT/SC) e Alencar Santana (PT/SP). Eles protocolaram requerimento de informação, nessa segunda-feira (1°/6), sobre o acordo de colaboração “MCTIC e Cisco.
A assinatura se deu em 27 de maio de 2020, sem a realização prévia de consulta pública, sem consulta ao Congresso Nacional e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e sem licitação despertando preocupação sobre a falta de transparência e sobre o seu conteúdo. Os parlamentares solicitam que os ministros Marcos Cesar Pontes (MCTIC) e Ernesto Henrique Fraga Araújo (Relações Exteriores) informem, entre outros pontos, sobre: os termos exatos do referido acordo; critérios técnicos que embasaram a celebração de tão abrangente e estratégico acordo, especificamente, com a empresa Cisco; medidas previstas para segurança de dados e informações sensíveis, nos termos da legislação brasileira.
“Queremos transparência. Esse acordo é muito amplo e envolve questões bastante sensíveis relacionadas à soberania nacional: monitoramento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; tecnologia de videoconferência para facilitar o atendimento remoto de saúde durante a pandemia; tecnologias de suporte à Indústria 4.0 e não houve processo licitatório. É fundamental que os ministros expliquem claramente os objetivos e como esse acordo foi elaborado”, questiona Margarida Salomão.
“O acordo também prevê ações de cibereducação e telefonia móvel 5G. Considerando a relevância dos temas envolvidos, era fundamental que a sociedade, o parlamento e a comunidade científica tivessem sido consultados e participado da construção do acordo. Queremos saber se os interesses nacionais estão preservados e conhecer os critérios para elaboração da parceria com a empresa estrangeira”, destacam os parlamentares.
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