Margareth Dalcolmo: “eu falei para a Luiza Trajano que não podia ter vacina privada”
Pesquisadora da Fiocruz conta ter conversado com diversos empresários, entre eles a fundadora do Magazine Luiza, sobre a importância do SUS para a vacinação contra a Covid-19. Assista na TV 247
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247 - A médica e pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Margareth Dalcolmo contou, em entrevista à TV 247, sobre como ela ajudou a convencer o empresariado brasileiro dos riscos de se conduzir a imunização contra a Covid-19 através da iniciativa privada.
A pneumologista lembrou de um telefonema que recebeu da empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza. “Lembro que estava almoçando, mas essa conversa era imperdível”, recordou.
A empresária queria conversar sobre a questão da compra de vacinas pelas empresas, iniciativa defendida por Jair Bolsonaro. “Essa conversa eu tinha que fazer, era uma missão”, relatou a pesquisadora. A empresária estava bastante disposta a comprar imunizantes e começar a vacinar através do setor privado, como forma de contribuir no combate à pandemia.
“Fui desconstruindo e mostrando a ela que não podia ter vacina privada, que o SUS era a solução. Hoje, a Luiza Trajano é uma das pessoas mais defensoras do SUS. Ela fez uma coisa espetacular, criou um programa que mapeou todos os municípios do Brasil, levantou todas as necessidades de vacina. Dois dias depois que nós conversamos, ela botou 30% do PIB brasileiro numa live para a gente conversar, e mostrei para todo mundo por que é que não podia ter vacina privada, e o assunto acabou”, disse a médica.
Após a conversa, Trajano desistiu do projeto, e buscou conscientizar o “PIB” sobre a necessidade de confiar na capacidade do SUS (Sistema Único de Saúde). Na live, a pesquisadora diz ter argumentado aos empresários que não adiantava cada empresário comprar uma porção de imunizantes para seus próprios funcionários: “e os familiares desses funcionários? A avó, a tia? Não vão se contaminar? Não adianta”.
“Hoje, quando vejo esses empresários, banqueiros, que não foram para Miami, tomando vacina no SUS, é uma coisa que eu fico emocionada”, completou.
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