Márcio França ao 247: "não podemos subjugar a solução do Brasil a São Paulo"
Pré-candidato do PSB, ex-vice-governador paulista (na gestão Alckmin) diz que não tem “nenhum problema em apoiar Haddad para governador ou qualquer outro cargo”
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Por Luís Costa Pinto, do 247 - Em texto enviado por WhatsApp na manhã desta quinta-feira, 23 de dezembro, para a reportagem do Brasil 247, o ex-vice-governador Márcio França ajusta sua posição, até ontem monolítica e de permanecer firme na disputa pelo governo de São Paulo, para admitir que “nos critérios e datas” de pesquisas a serem encomendadas por PT e PSB podem, enfim, anunciar a recalibragem de seu nome para concorrer à vaga de senador ou até mesmo a outro cargo nas eleições de 2022.
Em resposta a reportagem do site Brasil 247 publicada no fim da tarde desta segunda, dando conta da certeza de PT e Psol de que ambos partidos terão candidatos a governador na disputa paulista, e revelando o desconforto dentro do Partido Socialista Brasileiro provocado pelo descumprimento da promessa feita por França diante de dirigentes partidários e correligionários socialistas (entre eles, pré-candidatos a governador em outros estados) de que sairia candidato ao Senado na chapa com Fernando Haddad (PT) caso o ex-governador Geraldo Alckmin fosse candidato a vice-presidente pelo PSB compondo chapa nacional com o ex-presidente Lula (PT), o pré-candidato socialista contesta ter prometido sair da disputa estadual. O 247 mantém a informação.
No texto enviado à redação, Márcio França, porém, reafirma a disposição de encontrar um entendimento com Haddad e de ambos coabitarem o mesmo palanque em São Paulo. “Quando propus ao ex-prefeito Haddad, pela primeira vez, o nome de Alckmin, estávamos em quatro numa sala”, disse o ex-vice-governador do PSB. E continuou suas explicações: “A pergunta dele foi clara: ‘se Alckmin for vice, nós acertamos São Paulo?’. E eu respondi: ‘claro! Não podemos subjugar a solução do Brasil a São Paulo’”.
Ainda em seu texto, Márcio França assegura que “não tenho nenhum problema em apoiar Haddad para governador ou para qualquer outro cargo”. A partir deste ponto, França, que desde ontem tenta esgrimir e emplacar a divulgação de uma pesquisa de intenção de votos encomendada à empresa Paraná Pesquisas (ele, inclusive, mandou para o 247 lâminas da pesquisa que eram mais interessantes para si por destacar eventuais melhores desempenhos dele em cortes específicos), passou a argumentar que PT e PSB podem estabelecer os critérios e datas de pesquisas pré-eleitorais que venham a ser feitas em São Paulo e definam, enfim, a escolha de um nome único das duas legendas. “Nos critérios e datas que nossos partidos definirem”, ressaltou.
“Não esperem de mim, após 40 anos de filiação a um só partido, qualquer receio com disputas eleitorais”, escreveu ele. “Tenho certeza que ele, Haddad, tem em relação a mim o mesmo respeito que tenho em relação a ele”.
Pesquisa nova é mero argumento de saída honrosa
Ao esgrimir o argumento de se encomendar conjuntamente, por PT e PSB, uma nova pesquisa para definir entre os nomes dele e de Fernando Haddad qual figurará como candidato a governador de São Paulo e qual tentará ser eleito senador na vaga em disputa, Márcio França constrói uma plausível rota de fuga da cilada em que se meteu. Todas as pesquisas já realizadas até aqui pelos dois partidos e por institutos ou empresas que as aplicaram independentemente das legendas, como DataFolha, Ipec e PoderData, atestam a liderança franca do petista quando o ex-governador Geraldo Alckmin sai das alternativas apresentadas aos pesquisados.
A partir do dia 1º de janeiro, graças à Lei Eleitoral, pesquisas de intenção de voto destinadas a divulgação terão de ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral e precisarão conservar seus arquivos para verificação científica caso haja contestação. Logo, passa a ser impossível determinar a decisão de PT e PSB a uma pesquisa “forjada” ou realizada “sob encomenda”. O critério da pesquisa comum é válido, não é má ideia e é uma solução plausível para tirar Haddad e França do diz-que-diz estéril das fofocas pré-eleitorais. Contudo, aguardar tal levantamento atrasa ainda mais definições importantes das chapas nacional e estaduais dos partidos de ambos – e, nesse momento, isso significa, sim, “subjugar o Brasil a São Paulo”. Em política, tudo o que não ajuda, atrapalha. Experiente, com 40 anos de filiação partidária, França sabe disso.
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