Lula e Bolsonaro fazem primeiro debate direto do segundo turno neste domingo

Debate será dividido em três blocos, com uma hora e 40 minutos de duração no total

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | ABr)


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Felipe Mendes, Brasil de Fato - Seguindo a tradição consolidada nos processos eleitorais do país, a Band é a primeira emissora a reunir os candidatos à presidência nesta campanha de segundo turno. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) se encontram às 20h deste domingo (16).

 A emissora promete ao menos uma hora de embate direto entre os postulantes ao cargo máximo da República. Fica no ar a expectativa sobre o real impacto do confronto. 

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 Onde assistir? 

Além da Band, emissora que coordena o pool de veículos de imprensa responsável pelo debate, o encontro será exibido também pela TV Cultura e pelo UOL, em seu site, no YouTube e nas redes sociais. A Folha de S. Paulo também participa da organização. 

Outros veículos afiliados, como a BandNews e a rádio BandNews FM, também vão transmitir. 

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 As regras 

Integrantes das equipes de campanha se reuniram com a organização do debate para definição das regras. O debate será dividido em três blocos, com uma hora e 40 minutos de duração no total.  

O primeiro bloco começa com pergunta de um dos mediadores. Bolsonaro será o primeiro a responder. Depois da resposta de Lula, começará o embate direto, em que cada um terá 15 minutos de tempo para dividir entre suas perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. O primeiro a falar será o petista. 

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O segundo bloco será de perguntas de jornalistas. Quatro profissionais da imprensa farão a mesma pergunta para os dois candidatos, e cada um terá um minuto e meio para responder a cada uma delas, sem comentários ou tréplicas. 

No último bloco, o terceiro, formato semelhante ao primeiro: primeiro, pergunta de mediador; na sequência, embate direto, com 15 minutos para cada. A diferença é que, ao final desse embate, cada candidato terá mais um minuto e meio para as considerações finais. 

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 O que esperar? 

Em uma eleição polarizada e de ânimos acirrados, o confronto direto entre os candidatos é um dos momentos de destaque. Especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, porém, avaliam o impacto real de eventos como esse nas campanhas. 

Para o coordenador do Observatório da Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (OPEB), Gilberto Maringoni, o debate deve ser visto como um ponto de enfrentamento muito sério e sensível a esta altura. 

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"Nessas condições concretas que estamos vivendo agora, ou seja, uma eleição extremamente disputada, com dois projetos antagônicos, a necessidade de tirar o fascismo, o debate pode mudar votos e decidir as eleições. Basta ver o seguinte: o último debate da Globo chegou a um pico de audiência de trinta pontos, maior do que a exibição dos capítulos finais de Pantanal", afirma. 

O doutor em Ciência Política pela USP Gonzalo Berrón lembra que a televisão ainda tem peso muito grande no debate público, até porque alimenta outras mídias e as redes sociais. O especialista acredita que a proposta de Bolsonaro deve ser baixar o nível do encontro. 

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 "O debate da baixaria não é o forte do Lula, por uma questão de princípios. Lula não pode descer para o nível que Bolsonaro o coloca", pondera. 

Para o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a importância dos debates, hoje, já não é tão grande quanto foi tempos atrás. Para ele, é preciso que haja situações muito excepcionais para que tenha efeito prático nos índices de votação.

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"Não creio que debates tenham esse condão de causar grande reviravolta, mas eles podem expor os candidatos aos eleitores indecisos. Esse é o grande objetivo do debate, assim como de toda campanha, a campanha sempre quer ganhar o voto do indeciso", destaca. 

O também cientista político Francisco Fonseca, professor da FGV e da PUC-SP, acredita que, na atual circunstância, os debates tendem a ser usados pelas candidaturas para gerar "cortes" para as redes sociais. 

"Não estou dizendo que [debates] não sejam importantes, mas já foram muito mais importantes na história brasileira do que são agora", afirma. "É muito menos um debate, e muito mais uma tentativa de estabelecer lances, para serem, esses lances, a favor dos candidatos, veiculados em outras mídias. É um pouco essa ideia." 

A tese de Mayra Goulart, professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGCS) é semelhante. Ela ressalta o aspecto único dessa eleição, com dois candidatos bem conhecidos, que já presidiram o país. Nesse cenário, diz ela, os debates "não vão ter como objetivo apresentar ou consolidar as preferências já estabelecidas mas atuar na rejeição".

"Acredito que a principal estratégia será mobilizar a rejeição e produzir peças pra serem divulgadas, peças menores, videozinhos menores para serem divulgados nas redes." 

A economista Juliane Furno, integrante da equipe de campanha de Lula, reconhece: "debate não vence eleição". Porém, apesar de, na avaliação dela, esses encontros terem baixa possibilidade de mudar votos, eles são relevantes no contexto da corrida eleitoral. 

 "O debate é muito importante pelo seu efeito secundário. O candidato ir bem no debate anima a sua tropa, a fortalece. Um grupo fortalecido e animado ganha as eleições", complementa.

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