Lula deve decidir sobre novo presidente da Petrobras até início de dezembro, diz Jean Paul Prates

Senador afirmou também que haverá reunião com representantes da estatal na qual a equipe de transição do novo governo pedirá que atual gestão pause processos estratégicos em curso

Lula
Lula (Foto: Ricardo Stuckert | Fernando Frazão/Agência Brasil)


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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva deverá decidir o nome do novo presidente da Petrobras até o início de dezembro, disse nesta terça-feira o senador Jean Paul Prates (PT-RN), integrante do grupo de transição da área de energia.

À Reuters, Prates disse ter entregue um memorando a Lula e conversado com ele sobre a importância de a indicação do novo CEO da petrolífera ser feita até o início de dezembro. Ele não elaborou sobre o assunto, mas a medida buscaria possibilitar uma mudança mais célere no comando da estatal.

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"Ele (Lula) está ciente, lá do Egito ele marcou de conversar comigo. Era para ter sido ontem, mas ele adiou por causa da cirurgia, então deve ser amanhã (quarta-feira)", disse.

"Tem até início de dezembro para fazer da forma regular. Acredito que ele vá tomar uma decisão até lá. Se não, tem outras formas, alternativas, de fazer a mudança", completou.

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O próprio Prates vem sendo visto como um dos possíveis indicados para o posto de CEO da empresa. Ele disse que terá um encontro com Lula para discutir o tema.

O senador foi um importante conselheiro de política energética durante a campanha de Lula, mas sua nomeação para a Petrobras pode enfrentar obstáculos de conformidade devido à sua campanha para prefeito de Natal-RN em 2020. A Lei das Estatais veda indicação de CEO que tenha estruturado ou participado de campanha eleitoral nos últimos 36 meses.

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Os comentários do senador foram feitos após reunião nesta manhã com o ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida.

Prates afirmou também que haverá uma reunião com representantes da Petrobras, provavelmente com o presidente da companhia, Caio Paes de Andrade, na qual a equipe de transição do novo governo pedirá que a atual gestão da petroleira suspenda processos estratégicos em curso.

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"Nós vamos ter uma reunião específica sobre Petrobras, provavelmente com o presidente e a estrutura atual, a fim de assegurar a mesma coisa: suspender todos os processos que sejam mais estruturais, estratégicos em relação a empresa nesse momento. Aqueles que estiverem começando recentemente. Para que gente possa tomar decisões com mais calma", disse Prates a jornalistas.

Outro integrante do grupo de energia do governo de transição, o ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) Maurício Tolmasquim, acrescentou que foi pedido ao ministro que sejam suspensos os processos de venda de ativos até a escolha do novo ministro.

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"Isso inclui por exemplo a questão da TBG (Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil), que eu dei como exemplo", completou o senador, sem dar detalhes.

A Petrobras tinha a expectativa de assinar a venda de participação na TBG neste ano, como parte de um acordo feito com o órgão antitruste Cade, que previa a saída da companhia dos ativos de transporte e distribuição de gás natural.

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Prates comentou que as decisões relacionadas à TBG "envolvem até a política externa do país, porque envolvem a Bolívia, envolvem a política gasífera da Argentina, toda o esquema de gasodutos que está se formando ali no Conesul, e tem que ter uma parcimônia para decidir sobre isso."

O senador não disse quando será o encontro com a Petrobras.

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Após deixar a reunião com Sachsida, Prates disse ainda que a pasta de Minas e Energia se comprometeu a não tomar decisões estratégicas nem iniciar novos projetos até a mudança de governo.

"O ministro colocou a equipe à disposição, fez um compromisso de sustar todas as decisões mais estruturais, mais estratégica até a passagem do governo", disse ele ao chegar no CCBB, sede do governo de transição, em Brasília.

A afirmação, porém, foi feita um dia depois que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), do ministério, decidiu manter a atual mistura obrigatória de 10% de biodiesel no diesel vendido nos postos até março, o que enfureceu a indústria de biodiesel e parlamentares que defendem o setor no Congresso.

Prates disse ainda que haverá uma avaliação com a área tributária do novo governo sobre questões relativas ao PIS/Cofins que incide sobre combustíveis.

Esses tributos foram zerados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro até o fim deste ano.

"Esse processo a gente vai avaliar com a equipe econômica também. Não é só de Minas e Energia... A gente sabe que o impacto é bem menor que o ICMS", afirmou ele, que considerou o encontro foi bom e produtivo.

Em entrevista coletiva, Tolmasquim disse que a equipe não discutiu no encontro com o ministro a política de preços de combustíveis da Petrobras, baseado no preço de paridade de importação.

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