'Lula comprou a briga para baixar os juros e nós vamos ganhar', diz Carlos Zarattini

Em entrevista à TV 247, o deputado revelou também detalhes da proposta para alterar o artigo 142 da Constituição

(Foto: LUIS MACEDO - AGÊNCIA CÃMARA)


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Por Joaquim de Carvalho, 247 - Em seu quinto mandato na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (PT) acredita que o movimento pela redução da taxa de juros definida pelo Banco Central será vitorioso. "Eu acho que nós vamos ganhar. Porque o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, começou a se incomodar. A entrevista dele na TV Cultura tinha muita coisa de arrogância, mas também deu sinais de recuo, de conversa. Então, eu acho que a gente tem que continuar batalhando por isso", disse, em entrevista à TV 247.

Sobre a autonomia do Banco Central, aprovada em 2021 pelo Congresso a partir de iniciativa do governo Bolsonaro, Zarattini não acredita em mudança tão rápida, ao contrário do que, segundo ele, deve ocorrer com a taxa de juros. 

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"Acho difícil reverter essa autonomia (do Banco Central) nesse momento, no Congresso. E temos que ir caminhando para, de fato, termos uma política monetária que esteja de acordo com a política de desenvolvimento e distribuição de renda. Não dá mais para o capital financeiro abocanhar tanto da renda nacional como está abocanhando", destacou.

Para ele, a questão da taxa de juros sempre foi uma disputa política, inclusive nos governos de Lula e Dilma. Ele lembra que o presidente do Banco Central na época era Henrique Meirelles, que tinha sido presidente do Banco de Boston no mundo. Na época, havia uma disputa no interior dos próprios governos do PT.

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"Hoje nós estamos vivendo esse confronto. A diferença agora, e é uma diferença positiva, é que o Lula está comprando essa briga. O Lula comprou a briga para abaixar as taxas de juros. Por quê? Não porque é o que a imprensa está dizendo: que o Lula está querendo arrumar um culpado para o baixo crescimento. Não. O baixo crescimento acontecerá se mantiver essa política de juros altos", comentou.

Zarattini lembrou que 40% das pequenas e micro empresas brasileiras estão sem capital de giro.

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"O Cury (Joseph Cury), que é do sindicato das pequenas empresas industriais, fez uma pesquisa, pelo Datafolha: mais de 40% das pequenas e micro empresa não têm capital de giro. Se você não tem capital de giro, você morre. E por que elas não têm capital de giro? Porque elas não conseguem crédito. Porque o crédito é muito caro", observou.

Zarattini também falou do projeto de emenda constitucional que está apresentando na Câmara, juntamente com os deputados Alencar Braga e Rui Falcão, para modificar o artigo 142 da Constituição. 

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"Você sabe que quem está nos ouvindo já ouviu inúmeras vezes a menção que a direita golpista faz ao artigo 142. Ela utiliza a menção a esse artigo 142 para colocar as forças armadas na condição de poder moderador. Um poder que está acima de outros poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, que teria a função de, em certo momentos da vida nacional, quando houvesse conflito entre poderes, atuar de forma a reorganizar o equilíbrio entre esses poderes. Então, eles evocavam a todo momento a aplicação do artigo 142, para exatamente permitir, segundo eles, que o Executivo pudesse enfrentar o Poder Judiciário. Então, era a famosa base jurídica do golpe, que era a utilização do artigo 142", explicou.

A ideia dos deputados petistas é mudar o caput do artigo e deixar de atribuir às Forças Armadas a possibilidade de serem utilizadas em operações de garantia da lei e da ordem, a chamada GLO. "Forças Armadas não foram treinadas, não foram constituídas para enfrentar um inimigo interno. Elas estão preparadas para atuar na defesa territorial do País, na defesa da soberania nacional. Não faz mais sentido você ter a utilização das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem", afirmou.

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Esse papel seria reservado às Polícias Militares e à Força Nacional. Exército, Marinha e Aeronáutica poderiam continuar sendo convocadas para ações de defesa civil. "Defesa civil, por exemplo, é a questão dos ianomâmis agora, onde a Aeronáutica tem prestado apoio a essa operação de socorro. É, por exemplo, uma operação em Brumadinho, quando houve lá o desmoronamento da barragem. É, por exemplo, uma atuação na área do agreste, quando ocorre uma seca", disse.

Zarattini fez questão de destacar que o objetivo da PEC é pacificar o País, "Queremos deixar claro o papel das Forças Armadas. Nós estamos seguindo aqui uma orientação do presidente Lula, você se lembra de que, quando ele trocou o comandante do Exército, nomeou o general Tomás, ele fez um discurso falando claramente: o papel das Forças Armadas é a defesa do território e da soberania, e não a participação na política. E o general Tomás também tinha feito um discurso, alguns dias antes, nessa mesma linha. Então, nós estamos seguindo aqui a linha que o presidente Lula nos colocou, e que nos parece que tem respaldo dentro das próprias Forças Armadas", finalizou.

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