Luiz Eduardo Soares: Bolsonaro está recriando o SNI e empurra país para o abismo
Alvo de um dossiê do Ministério da Justiça, Luiz Eduardo Soares afirmou Jair Bolsonaro está “recriando” o Serviço Nacional de Informações (SNI), que foi um dos braços da ditadura no Brasil: “A investigação clandestina contra cidadãos nos arrasta para o abismo”
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247 - O antropólogo brasileiro Luiz Eduardo Soares, um dos 579 alvos de um dossiê do Ministério da Justiça a partir do monitoramento secreto de “militantes antifascistas”, afirmou que através de ações dessa natureza, Jair Bolsonaro “recria” um dos braços da política brasileira no período de ditadura militar, o Serviço Nacional de Informações (SNI). “A recriação do velho SNI deixou de ser o sonho de Bolsonaro para se tornar o pesadelo da sociedade brasileira” declarou. A reportagem é do portal El País.
O dossiê no qual Soares é alvo foi elaborado pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi) do Ministério da Justiça. A ação alertou para o uso de aparato estatal à vigilância ou investigação de opositores políticos do Planalto, acrescenta a reportagem.
“A investigação clandestina contra cidadãos contrários ao fascismo é apenas mais um elo na corrente que nos arrasta para o abismo”, diz Soares. “A infiltração do fascismo se dá por toda parte, corroendo os pilares da democracia”, acrescenta.
O antropólogo, que foi secretário nacional de Segurança Pública durante o início do governo Lula da Silva (PT) e um dos fundadores do partido Rede Sustentabilidade, diz que já adotou os trâmites judiciais para questionar o Planalto sobre a investigação da Seopi.
O Ministério da Justiça, de André Mendonça, não negou a existência do dossiê. Através de notas, a pasta alegou que a atividade da Seopi integra o Sistema Brasileiro de inteligência (Sisbin) e que as “ações especializadas” tem por objetivo “subsidiar decisões que visem ações de prevenção, neutralização e repressão de atos criminosos de qualquer natureza que atentem contra a ordem pública, a incolumidade das pessoas e o patrimônio”.
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