Líder guarani é preso acusado de furto de espigas de milho abandonadas após colheita

Cacique Crídio Medina, do Tekoha Guasu Guavirá, foi preso acusado de de acobertar um suposto crime que seria cometido pelas crianças de sua aldeia, a Ywyraty Porã. Crianças teriam recolhido espigas que restaram no solo, não acessadas pela colheitadeira de uma fazenda próxima

O cacique Crídio Avá Guarani
O cacique Crídio Avá Guarani (Foto: Arquivo/Cimi)


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Fabíola Salani, na Revista Fórum - O cacique Crídio Medina, do Tekoha Guasu Guavirá, foi preso na noite de quarta-feira (26) acusado de furto de espigas de milho. Os policiais o acusaram de acobertar um suposto crime que seria cometido pelas crianças de sua aldeia, a Ywyraty Porã.

Em uma propriedade vizinha à aldeia, em Terra Roxa (PR), as crianças indígenas recolheram espigas que restaram no solo, não acessadas pela colheitadeira. Em geral, de acordo com os índios, os fazendeiros deixam essas espigas no solo mesmo, pois o custo da colheita manual não compensa.

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O dono da propriedade, ao perceber a ação, entendeu que estavam furtando sua lavoura. Ele acionou a polícia, que encontrou 10 sacas com espigas de milho no interior da comunidade. Com isso, levou o cacique para prestar depoimento e o delegado decretou a sua prisão.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) entende que o caso envolve preconceito e pede ação do Ministério Público estadual. O pedido é que a promotoria verifique se não houve crime de discriminação e racismo, bem como abuso de autoridade. O Cimi relata que a comunidade está sem terra para plantar e sem poder sair da aldeia para trabalhar, por causa da pandemia do coronavírus. “Os Guarani, que tiveram praticamente todas as terras roubadas e ninguém foi punido, agora são considerados criminosos por buscar sobras de alimentos”, denuncia a entidade.

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