"Liberdade de Assange está mais longe do que nunca", diz Glenn Greenwald
Jornalista criticou a decisão do tribunal britânico que anulou nesta sexta-feira (10) a decisão prévia de não entregar o australiano
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247 - O jornalista Glenn Greenwald criticou nesta sexta-feira (10) a decisão do tribunal superior de Londres, no Reino Unido, para que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, seja extraditado para enfrentar acusações criminais, incluindo violação de uma lei de espionagem e conspiração para hackear computadores do governo.
Em texto publicado na plataforma Substack, Greenwald afirmou que a decisão representa "um golpe devastador" na busca de Assange pela liberdade. "A vitória de hoje para os EUA significa que a liberdade de Assange, se vier, está mais longe do que nunca: não meses, mas anos, mesmo nas melhores circunstâncias", disse o jornalista.
Glenn conta que o Departamento de Justiça dos EUA ofereceram várias garantias de que Assange seria tratado "humanamente" na prisão dos EUA, uma vez que fosse extraditado e condenado. "O que torna a fé da Suprema Corte nessas garantias do governo dos Estados Unidos particularmente impressionante é que isso ocorre menos de dois meses depois que o Yahoo News informou que a CIA e outras agências estaduais de segurança dos Estados Unidos odeiam Assange tanto que planejaram sequestrar ou até mesmo assassiná-lo durante a época em que ele teve proteção de asilo do Equador. Apesar de tudo isso, Lord Justice Timothy Holroyde anunciou hoje que 'o tribunal está convencido de que essas garantias' servirão para proteger a saúde física e mental de Assange", afirmou.
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Leia também reportagem da RFI sobre o assunto:
O governo norte-americano poderá tentar novamente obter a extradição de Julian Assange, preso em Londres desde sua detenção em 2019 na embaixada do Equador. O fundador do site WikiLeaks poderá ser julgado por espionagem nos Estados Unidos, depois que um tribunal de apelações britânico anulou, nesta sexta-feira (10), a decisão prévia de não entregar o australiano.
Washington quer julgar Assange, de 50 anos, pela publicação de quase 700.000 documentos diplomáticos e militares secretos, relacionados principalmente com as guerras lideradas pelos Estados Unidos no Afeganistão e Iraque.
Na primeira instância, a juíza Vanessa Baraitser bloqueou a extradição do australiano em janeiro. Ela considerou que Assange, cuja saúde mental aparenta ser frágil, corria o risco de cometer suicídio se fosse entregue ao sistema judicial dos Estados Unidos.
Mas os advogados de Washington apelaram contra a decisão e, em outubro, alegaram que Baraitser não atribuiu importância suficiente a outros depoimentos de especialistas sobre o estado mental do fundador do site WikiLeaks. Também garantiram ao tribunal que o australiano, de 50 anos, não seria mantido em isolamento punitivo em uma penitenciária federal de segurança máxima e que receberia o tratamento adequado.
Nesta sexta-feira, o tribunal de apelações de Londres deu razão ao governo norte-americano e anulou a sentença prévia, por considerar que o governo dos Estados Unidos "apresentou agora ao Reino Unido um pacote de garantias que respondem às conclusões específicas" que preocupavam Baraitser. O caso, portanto, voltará a ser examinado em uma data que ainda deve ser determinada.
Longa batalha judicial
Independentemente do que acontecer, é muito provável que a longa batalha judicial não termine em uma nova audiência, pois a parte derrotada poderá ainda solicitar autorização para um novo e definitivo recurso ao Supremo Tribunal britânico.
"Apelaremos contra a decisão o mais rápido possível", afirmou a noiva de Assange, a advogada sul-africana Stella Moris. Como nas audiências anteriores, os simpatizantes do australiano foram até a frente do Supremo Tribunal britânico para exigir a sua libertação.
O WikiLeaks alega que Washington deseja julgar Assange por "publicar informações verídicas que revelam os crimes cometidos pelo governo americano no campo de detenção de Guantánamo, Iraque e Afeganistão, e os detalhes das torturas da CIA". Já a ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional questionou as garantias de Washington sobre o tratamento que ele receberia em caso de extradição, que chamou de "intrinsecamente pouco confiáveis". O governo da Rússia classificou a decisão britânica de "vergonhosa".
Liberdade de expressão
O processo de Assange virou uma causa emblemática para os defensores da liberdade de expressão. Seus partidários alegam que o WikiLeaks tem os mesmos direitos que outros meios de comunicação a publicar material confidencial, desde que seja de interesse público.
Mas o governo americano, que apresentou 18 acusações - entre elas, espionagem - afirma que o australiano não é jornalista e sim um hacker. Além disso, alega que a divulgação de documentos sem qualquer filtro colocou em risco a vida de seus informantes.
Em caso de extradição, julgamento e condenação, Assange pode receber pena máxima de 175 anos de prisão, embora a sentença exata seja difícil de calcular e possa ser mais curta.
Segurança máxima
O fundador do WikiLeaks está preso na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, perto de Londres, desde 11 de abril de 2019. Ele foi detido dentro da embaixada equatoriana na capital britânica, depois que o então presidente Lenín Moreno retirou o asilo concedido por seu antecessor Rafael Correa.
Assange foi preso em um primeiro momento para cumprir uma condenação por ter violado as condições de sua liberdade condicional ao buscar refúgio na embaixada do Equador. Ele tentou, desta forma, evitar uma extradição à Suécia, onde enfrentava acusações de agressão sexual, que posteriormente foram retiradas. O australiano temia ser enviado aos Estados Unidos pelas autoridades suecas.
Em seguida, ele foi mantido em prisão preventiva para aguardar a decisão sobre sua extradição. A juíza considerou que, com seus antecedentes, o fundador do WikiLeaks poderia tentar uma nova fuga da justiça em caso de liberdade.
Durante os sete anos que viveu em um pequeno quarto da embaixada equatoriana, Assange teve dois filhos com Stella Morris, sua noiva e integrante de sua equipe de defesa. Eles devem oficializar a união em breve: no mês passado, as autoridades britânicas deram o sinal verde para que o casamento deles fosse realizado na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh.
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