Julgamento decisivo sobre a privatização da Eletrobras vai acontecer na quarta-feira

Governo Bolsonaro aguarda aval do TCU para realizar leilão em maio. Dieese diz ser ‘absurdo pensar em privatização em um ano eleitoral’

(Foto: Reuters)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Rede Brasil Atual - O Tribunal de Contas da União (TCU) marcou para quarta-feira (20) o julgamento final sobre a privatização da Eletrobras. Será a segunda e última etapa de análise do processo de desestatização da companhia. O governo federal pretende abrir mão do controle acionário da empresa pública considerada estratégica para a soberania e o equilíbrio energético do Brasil. 

A equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (PL) aguarda aval do tribunal para tentar realizar o leilão de privatização até o dia 13 de maio. Mas a expectativa de setores críticos ao processo é que o debate seja prolongado. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, um grupo de ministros do TCU estaria articulando reservadamente a necessidade de ampliar o prazo de discussão sobre a proposta para 20 a 30 dias. Desse modo, forçaria o governo a rever a papelada do leilão. 

continua após o anúncio

No entanto, para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior, o processo de análise de privatização da Eletrobras deveria ocorrer ao longo do segundo semestre. E, assim, chegar a uma decisão apenas após as eleições. Em entrevista a Glauco Faria, do Jornal Brasil Atual, o especialista disse ser “um tanto quanto absurdo pensar uma privatização em um ano como 2022, um ano eleitoral, em que inclusive os projetos de país estão em discussão e vão ser avalizados pelas urnas”, apontou. 

Falta transparência sobre os impactos

De acordo com Fausto, há diversos aspectos no processo de desestatização que colocam a população brasileira em um grau de incerteza elevado. Entre eles, o acesso da iniciativa privada a informações consideradas sigilosas e que podem afetar a segurança do sistema elétrico e do próprio país, segundo funcionários da Eletrobras. Com a reestruturação societária, o voto se limitará a 10% para qualquer acionista e a Eletrobras não terá mais um controlador definido. Na avaliação do Dieese, o governo Bolsonaro “começa claramente um movimento de acelerar uma série de pautas” dado o avanço do seu último ano de gestão. O diretor técnico critica, contudo, que o debate não é transparente quanto aos impactos da privatização da Eletrobras sobre os brasileiros. 

continua após o anúncio

“A estabilidade do ponto de vista energético brasileiro passa de alguma forma pela Eletrobras, mas nada disso foi discutido. Nada disso foi discutido em relação a sua estratégia, sobre a importância da garantia de chegar energia elétrica nos diferentes centros e regiões do Brasil. Nada foi discutido do ponto de vista de como fica Itaipu e a Eletronuclear. E, principalmente, como fica para a vida real dos brasileiros o impacto da privatização”, descreve.

“A única discussão que se faz sobre privatização é se o investimento vai ou não aumentar, onde será investimento e quanto ele vai significar. Mas de fato a gente está falando em simplesmente passar para a iniciativa privada – que nós não sabemos para onde vai, se vai para algum grupo internacional, qual grupo internacional, de qual país –, a soberania energética do Brasil. O debate sobre a privatização da Eletrobras não deveria ser um debate simplesmente do Tribunal de Contas, mas um debate da sociedade como um todo”, adverte o Dieese. 

continua após o anúncio

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista: 

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247