José Dirceu: Bolsonaro buscou fechar o cerco com mudanças ministeriais
“Acuado e isolado, com a pandemia e a economia em descontrole, o presidente faz da troca de ministros uma operação de Estado Maior. Resta saber se ela o salvará até 22”, comentou José Dirceu em artigo
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247 - O ex-dirigente petista José Dirceu, em artigo sobre os recentes acontecimentos políticos, declarou que Jair Bolsonaro buscou fechar o cerco com suas mudanças ministeriais, mas está se isolando cada vez mais, com a possibilidade de perder o controle da situação política.
“Acuado e isolado, com a pandemia e a economia em descontrole, o presidente faz da troca de ministros uma operação de Estado Maior. Resta saber se ela o salvará até 22”, comentou Dirceu.
“O presidente da República, na prática, saiu das cordas e reforçou seu controle sobre peças-chave do xadrez de seu governo”, continua.
Segundo ele, “a troca de Ernesto Araújo por Carlos França e a indicação da deputada do PL Flávia Arruda expressam a força dos partidos do chamado Centrão”. “Agora PP, PR, PL estão no governo, garantindo, por enquanto, uma maioria capaz de impedir o processo de impeachment”, destacou.
“Já na Saúde houve de fato uma mudança relativa, o que demonstra fraqueza do governo frente à crescente indignação e oposição à sua política negacionista e criminosa frente à pandemia”, argumentou.
Ainda, segundo Dirceu, as mudanças na AGU e no Ministério da Justiça ocorreram “para proteger sua família e atacar seus adversários”.
“A conclusão desses movimentos é que o presidente reforçou sua linha de defesa no Congresso e buscou superar os vetos, isso mesmo, a dois ministros já sem nenhuma sustentação política, Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo. E colocou dois fiéis na Justiça e AGU preparando-se para a batalha que continua e depende de outras variáveis, a pandemia e a economia”, destacou.
Para Dirceu, a demissão dos comandantes militares “pode indicar uma crise militar”
“Os últimos sinais políticos – aumento da pressão no Parlamento e na mídia, a manifestação dos banqueiros, a volta de Lula com força para mudar o cenário para 22 e, principalmente, o agravamento da pandemia e da crise social – indicam um isolamento cada vez maior do governo e riscos reais de perda do controle”, destacou.
“Afinal, o fim do auxílio emergencial e a aprovação de uma ajuda irrisória para fazer frente à escalada de preços da cesta básica vão aumentar a miséria. Daí o contra-ataque de Bolsonaro com uma operação de Estado Maior. Resta saber se o salvará até 22”, concluiu.
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