Jornalistas demoraram para denunciar ataque de Bolsonaro às mulheres, diz antropóloga

Heloisa Buarque de Almeida, da USP, também afirmou que “é sintomático que as jornalistas só se choquem quando o ataque é feito a elas”

Heloisa Buarque de Almeida da USP
Heloisa Buarque de Almeida da USP (Foto: ALESP)


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247 - Professora de antropologia na Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Comitê de Gênero e Sexualidade da Associação Brasileira de Antropologia, Heloisa Buarque de Almeida comentou à Época os ataques de Jair Bolsonaro e seus seguidores às jornalistas mulheres. Entre os alvos dos bolsonaristas estão Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, e Vera Magalhães, do Estado de S. Paulo.

Segundo a professora, a imprensa demorou para denunciar os ataques de Bolsonaro às mulheres e as jornalistas se chocaram apenas agora porque foram as vítimas desta vez. “As jornalistas estão sentindo agora o que o governo faz com relação a todas as mulheres”, reforçou.

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Ainda, a antropóloga disse que “o ataque recente às jornalistas apenas coroa toda uma série de ataques contra mulheres. Ele chegou a ameaçar a deputada Maria do Rosário dizendo que 'ela não merecia ser estuprada' [na Câmara dos Deputados, em 2014]”. “Alguma jornalista se solidarizou?”, questionou.

Ela também afirmou que acha “bem sintomático” que as jornalistas “só se choquem quando o ataque é feito a outras jornalistas, mulheres de classe alta e de carreira, muito mais visíveis”. “Tudo que ele falou contra as mulheres, o elogio a [o coronel e torturador Carlos Alberto Brilhante] Ustra no impeachment de Dilma, nada disso fez os jornalistas se tocarem de quão violento e brutal ele já era? Ele tanto já era brutal que fizemos o movimento Ele Não, mas a imprensa deu pouca atenção. Sinceramente, sinto falta de sororidade feminista nas jornalistas”, observou.

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Para ela, outros alvos do presidente são os negros e os LGBTs. Em entrevista afirmou: “quem está diretamente atacando as minorias — e aí não só as mulheres, mas também negros e pessoas LGBT — é a extrema-direita, é Bolsonaro e seu governo. Não é só o que ele fala, mas o que ele tem feito: por exemplo, não investir um só centavo nas Casas Abrigo, precarizar a saúde pública, e agora vir com uma política sexual de abstinência”.

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