Jogo duplo de Bolsonaro agrava crise com Supremo

O governo de Jair Bolsonaro está provocando o aprofundamento da crise com o Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo em que emite sinais de que não quer uma ruptura imediata com o Poder Judiciário, não decide sobre a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e volta a dizer que ações na Justiça "esticam a corda"

Jair Bolsonaro e fachada do STF
Jair Bolsonaro e fachada do STF (Foto: Reuters)


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247 - A ambiguidade do governo Bolsonaro na relação com o Poder Judiciário, está irritando a alta corte do país. Ministros do STF esperavam nesta segunda-feira (15) a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, o que poderia desanuviar o ambiente. 

O STF esperava também um pronunciamento de Jair Bolsonaro condenando a ação extremista de seus seguidores que no último sábado simularam com fogos de artifício um ataque à sede do STF em Brasília. Nesta segunda, após o STF ter sido alvo de ataques de manifestantes, Bolsonaro pediu à sua equipe que evite criticar publicamente o tribunal para não intensificar o tensionamento. Mas não criticou seus seguidores que atacaram a sede do Supremo.

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Também aumenta o atrito com o Supremo a crítica de Jair Bolsonaro às ações que tramitam no TSE e no STF. O inquilino do Palácio do Planalto considera que a alta corte extrapolou seus limites de atuação. “Esticou a corda”, de acordo com o linguajar do seu ministro-chefe da Secretaria de Governo, o general Luís Eduardo Ramos.

Jair Bolsonaro considera que é sua obrigação acenar para sua base ideológica de extrema direita reiterando críticas à atuação do STF. 

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Por outro lado, os discursos de Bolsonaro e seus aliados, ora pela harmonia entre os Poderes, ora críticos ao STF, são lidos com desconfiança e irritam ministros do STF, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Eles reclamam da postura dúbia adotada por Bolsonaro e seus auxiliares mais próximos. 

Ministros do Supremo cobram de Bolsonaro a demissão de Abraham Weintraub (Educação), que já se referiu aos integrantes do STF como "vagabundos". Para eles, demiti-lo seria o gesto mais enfático do presidente no sentido de harmonizar a relação entre Executivo e Judiciário.

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