Janio de Freitas: descaso de Bolsonaro com pandemia e armamento têm "intenções definidas"
O jornalista da Folha acredita que comunhão entre ocupante do Planalto e generais não é fruto do acaso, é parte de uma estratégia de poder
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O jornalista Janio de Freitas, que tem uma das colunas mais lidas da Folha, acredita que a defesa da cloroquina, a sabotagem às vacinas e o ataque ao uso de máscaras por parte de Bolsonaro e de oficia do Exército faz parte de uma estratégiacom “intenções definidas”.
Não seria apenas ignorância.
"Já é bem difundida a impressão, ou a convicção, de que todo o estapafúrdio produzido por Bolsonaro e apoiado pelos generais tem a ver com intenções definidas. Há bastante coerência nos atos amalucados, que são bem aceitos pelos generais também por uma comunhão não declarada nem gratuita”, escreveu.
"A propaganda do falso tratamento com cloroquina cedo se mostrou como objetivo. Não só para desacreditar as recomendações científicas. Também para ações de governo que custaram milhões ao dinheiro público —e aí estava o Exército a fabricar quantidades montanhosas da droga enganadora.”
Ele lembra que o próprio Ministério da Saúde é conduzido por um general, que já declarou estar lá para cumprir ordens de Bolsonaro.
"O próprio Ministério da Saúde, o mais militarizado setor civil da administração pública, foi posto como indutor da droga ineficaz. Bolsonaro continua condenando as máscaras e estimulando aglomerações. E, sobre tudo o mais, a sabotagem a vacinas excedeu a incompetência. É muito mais e muito pior.”
O jornalista conclui que , por trás disso, "houve e há algo. Esse desatino não resistiria, para chegar à dimensão que alcançou, sem um propósito a sustentá-lo.”
Bolsonaro flerta com a morte e, ao mesmo tempo, arma a população. Janio não diz, mas é necessário refletir se ele não estaria buscando, com apoio do Exército, não da Marinha ou Aeronáutica, uma convulsão social para impor um governo fascista no Brasil.
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